O dinheiro do Estado não é dinheiro de quem governa. É dinheiro público, proveniente dos impostos, das receitas petrolíferas, dos recursos naturais, das empresas públicas e de outras fontes de financiamento. Por isso, cada kwanza arrecadado pelo Estado deve ter uma finalidade clara e produzir algum benefício para a sociedade. O dinheiro público não pode perder-se nos corredores da burocracia; tem de encontrar o caminho até ao cidadão.
Quando o Estado investe, o cidadão espera resultados. Uma escola construída deve significar melhores condições para estudar. Um hospital deve representar mais capacidade para atender doentes. Uma estrada deve facilitar a circulação de pessoas e mercadorias. Um projecto de água deve significar água disponível nas comunidades.
Angola tem realizado investimentos em diferentes sectores, mas a discussão sobre as finanças públicas não deve terminar no valor gasto. É fundamental perguntar o que foi realizado, quanto custou, quem beneficiou e quais foram os resultados alcançados. Gastar dinheiro é uma operação financeira; transformar dinheiro público em qualidade de vida é governação.
A transparência também desempenha um papel essencial. Quanto mais clara for a informação sobre receitas, despesas, investimentos e resultados, maior será a capacidade dos cidadãos de compreenderem as prioridades do Estado e acompanharem a utilização dos recursos públicos. Transparência não é apenas mostrar números; é permitir que o cidadão perceba o que os números fizeram pela sua vida.
Também é necessário combater desperdícios e melhorar a eficiência. Num país com necessidades sociais significativas, cada recurso desperdiçado representa uma oportunidade que pode não chegar a uma escola, a um centro de saúde, a uma estrada ou a uma família.
O desenvolvimento não se mede apenas pelo tamanho dos orçamentos, mas pela transformação que esses recursos conseguem produzir. Um Estado pode movimentar milhares de milhões, mas a verdadeira riqueza está naquilo que esses milhares de milhões conseguem transformar.
No final, a pergunta mais importante não deve ser apenas quanto Angola gastou. Deve ser: quanto desse dinheiro se transformou em oportunidades, serviços, emprego, educação, saúde e dignidade para os angolanos?
Porque o dinheiro do Estado pode passar por muitas instituições antes de chegar ao seu destino. Mas o seu verdadeiro destino deve ser sempre o cidadão.
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