Angola está muito bem servida de críticos. Nas redes sociais, nos cafés, nas rádios, nos debates e nas conversas do dia a dia, encontramos especialistas em identificar tudo aquilo que está errado. Há sempre alguém preparado para apontar o dedo, denunciar uma falha, condenar uma decisão ou explicar por que razão nada funciona. Em Angola, encontrar um problema é fácil; encontrar quem queira ajudar a resolvê-lo é que continua a ser um desafio.
Criticar é necessário. Uma sociedade sem crítica corre o risco de normalizar os seus próprios problemas. O cidadão deve questionar, fiscalizar e exigir responsabilidade. Mas existe uma diferença entre ser crítico e ser construtor. O crítico identifica a doença; o construtor procura o tratamento. Apontar a ferida é importante, mas não substitui o trabalho de a curar.
O problema começa quando a crítica se transforma numa profissão permanente e a solução passa a ser sempre responsabilidade dos outros. Alguns conseguem explicar durante horas por que razão o país está mal, mas quando lhes perguntamos o que fariam concretamente, quanto custaria, quem executaria e como seriam medidos os resultados, o discurso começa a perder força. Uma ideia não se torna solução apenas porque foi dita com convicção.
Angola precisa de uma nova cultura de participação. Precisamos de jornalistas que investiguem, académicos que produzam conhecimento, empresários que criem empregos, activistas que apresentem propostas, técnicos que encontrem soluções e cidadãos dispostos a participar nas suas comunidades. O país não se transforma apenas com palavras; transforma-se quando o conhecimento encontra a acção.
Também precisamos de abandonar a ideia de que quem apresenta uma solução está automaticamente a defender quem está no poder. Criticar e colaborar podem coexistir. É possível discordar politicamente e, ao mesmo tempo, contribuir para melhorar uma escola, uma comunidade, um hospital ou uma instituição. Construir não significa concordar com tudo; significa colocar o interesse colectivo acima da necessidade de vencer todas as discussões.
Angola não precisa de silenciar os críticos. Precisa de transformar parte dessa energia crítica em capacidade construtiva. A pergunta já não deve ser apenas “quem é o culpado?”, mas também “o que podemos fazer?”. O futuro de Angola não será construído por aqueles que apenas dizem o que está errado, mas por aqueles que têm coragem de participar naquilo que precisa de ser feito.
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