Há uma profissão que parece estar a crescer em Angola: ser crítico profissional de tudo. Critica-se o governo, critica-se a oposição, criticam-se empresários, instituições, projectos e até obras que ainda nem foram concluídas. Há quem consiga encontrar defeitos em praticamente tudo o que é feito. Em Angola, para alguns, a crítica parece ter-se transformado numa carreira a tempo inteiro.
O mais curioso é que já não se critica apenas aquilo que está mal. Critica-se também aquilo que está a ser feito. Constrói-se um hospital novo: há críticas. Inaugura-se um aeroporto: há críticas. Levanta-se um edifício: há críticas. Faz-se uma estrada: aparecem imediatamente especialistas em engenharia, economia, arquitectura, urbanismo e gestão pública. Parece que, em Angola, inaugurar uma obra é também inaugurar uma nova temporada de críticas.
Criticar uma obra pública é legítimo. O cidadão tem o direito de perguntar quanto custou, quem executou, quais são os benefícios e se a qualidade corresponde ao investimento. Isso faz parte da fiscalização numa sociedade. O problema surge quando a crítica deixa de procurar respostas e passa simplesmente a procurar defeitos. Fiscalizar é perguntar; destruir é rejeitar tudo antes de compreender.
Nas redes sociais, esta realidade tornou-se ainda mais evidente. Uma fotografia de uma obra pode gerar centenas de comentários em poucos minutos. Alguns analisam com seriedade; outros fazem julgamentos sem conhecer o projecto, o orçamento, os prazos ou os critérios técnicos. A velocidade da opinião muitas vezes ultrapassa a velocidade do conhecimento.
Também existe uma tentação perigosa: acreditar que criticar tudo demonstra inteligência. Não demonstra. Pensamento crítico não significa dizer “não” a tudo. Significa analisar, questionar evidências, reconhecer problemas e, quando possível, apresentar alternativas. Quem discorda de tudo não é necessariamente mais lúcido; pode simplesmente estar mais habituado a discordar.
Angola precisa de críticos, mas precisa sobretudo de crítica responsável. Precisamos de pessoas capazes de dizer: “isto está errado, e esta é a forma como pode ser melhorado”. Precisamos de transformar indignação em propostas, conhecimento em soluções e palavras em acção.
Porque existe uma diferença fundamental entre ser contra uma obra e querer que ela seja melhor. A primeira atitude pode gerar aplausos; a segunda pode gerar transformação.
Criticar é fácil. Construir é difícil. E é precisamente por isso que Angola precisa de mais construtores.
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