Angola e Tajiquistão deram um passo para aproximar os seus aparelhos diplomáticos com a assinatura de um acordo de isenção mútua de vistos para titulares de passaportes diplomáticos. O instrumento, assinado em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, pretende facilitar a circulação dos representantes dos dois Estados e fortalecer os contactos institucionais. Na diplomacia, cada porta que se abre pode transformar-se numa ponte.
À primeira vista, a medida pode parecer exclusivamente protocolar e destinada a um grupo restrito de cidadãos. Porém, os acordos de facilitação da mobilidade diplomática podem criar condições para contactos mais frequentes entre governos, instituições e responsáveis pela definição das políticas externas. A diplomacia aproxima países antes de aproximar mercados.
A relação entre Angola e Tajiquistão poderá ganhar novos espaços de cooperação, sobretudo se a assinatura deste acordo for acompanhada por iniciativas concretas nos domínios económico, comercial, académico, cultural e tecnológico. Um acordo, por si só, não produz resultados; cria, isso sim, uma ferramenta que precisa de ser utilizada. Assinar é o começo; transformar acordos em resultados é a verdadeira diplomacia.
Num mundo marcado por mudanças geopolíticas, Angola tem interesse em diversificar os seus parceiros e ampliar os canais de diálogo com diferentes regiões. A política externa de um país não deve limitar-se aos parceiros tradicionais. Deve procurar novas oportunidades, novas plataformas de cooperação e novos espaços de influência diplomática. Quem amplia os seus parceiros amplia também as suas opções estratégicas.
O Tajiquistão, situado na Ásia Central, representa igualmente uma oportunidade para Angola conhecer melhor uma região que nem sempre ocupa lugar central no debate sobre as relações internacionais africanas. A diplomacia moderna exige curiosidade, pragmatismo e capacidade de identificar interesses comuns onde antes existiam poucos contactos.
Mais do que a isenção de vistos, o importante será perceber o que os dois países conseguirão construir a partir desta maior facilidade de circulação dos seus representantes. Poderão surgir visitas oficiais, contactos empresariais, intercâmbios académicos e novas iniciativas de cooperação.
A diplomacia que se limita a assinar documentos produz fotografias; a diplomacia que cria oportunidades produz futuro.
Angola precisa de uma política externa capaz de transformar relações diplomáticas em benefícios concretos, aproximando pessoas, instituições, empresas e conhecimento. Porque, no século XXI, ter amigos no mundo é importante, mas construir pontes que produzam resultados é ainda mais importante.
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