ANTÓNIO SIMBO LEVA ANGOLA A ABU DHABI ATRAVÉS DO CONHECIMENTO

Antonio sousa

Um livro, uma ideia e uma nova forma de projectar Angola além-fronteiras.

Malundo Kudiqueba

No dia 24 de Setembro de 2026, o livro A Diplomacia Digital: Uma solução para a promoção da Imagem de Angola, do jornalista e diplomata angolano António de Sousa Simbo, passou a integrar a biblioteca da Academia Diplomática Anwar Gargash (AGDA), em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

O gesto pode parecer simples: entregar alguns exemplares de um livro. Mas o seu significado ultrapassa a cerimónia. Quando um livro angolano entra numa academia diplomática, entra também uma perspectiva angolana num espaço internacional de formação e produção de conhecimento.

O reitor da AGDA, Professor Eric Alter, destacou precisamente essa dimensão ao referir que a biblioteca da instituição carecia de uma obra de um autor africano. O livro passa agora a poder ser utilizado como material de estudo pelos estudantes da academia, dedicada à formação diplomática, investigação e preparação de profissionais para os desafios das relações internacionais.

Esta é uma questão que merece reflexão.

Angola não deve ser apenas objecto de estudo. Angola também precisa de produzir conhecimento sobre si própria e sobre o mundo.

A diplomacia contemporânea já não acontece apenas nas salas de reuniões, nos corredores das embaixadas ou nas conferências internacionais. A diplomacia também acontece nos ecrãs, nas redes sociais e nas plataformas digitais.

É precisamente esse o território explorado pela obra de António Simbo: compreender como as novas tecnologias de comunicação podem ser utilizadas para projectar a cultura, a economia, as potencialidades e os interesses estratégicos de Angola.

O convite feito ao autor para proferir uma palestra aos estudantes da AGDA representa outro passo importante. Um livro pode entrar numa biblioteca; uma ideia pode entrar numa sala de aula; e uma ideia discutida pode transformar-se em conhecimento.

A obra já está presente em bibliotecas de universidades angolanas e de instituições académicas nos Estados Unidos e na Europa, incluindo Stanford, New York University, Emory, Michigan State, Wisconsin, Goethe e Newcastle.

Mas o mais importante talvez não seja onde o livro está.

É onde as ideias nele contidas podem chegar.

Num mundo em que a imagem dos países influencia relações económicas, políticas, culturais e diplomáticas, Angola precisa de investir mais na produção e circulação do seu próprio conhecimento.

Um país que quer projectar a sua imagem no mundo precisa também de produzir as ideias com que quer ser conhecido.

A diplomacia digital pode ser uma ferramenta. O conhecimento é a matéria-prima.

E quando o conhecimento angolano atravessa fronteiras, Angola também atravessa fronteiras.

Birmingham, 24 de Setembro de 2026

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