O encontro entre o Presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o Presidente de Angola, João Lourenço, em Nova Iorque, à margem da 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, coloca Angola no centro de uma relação estratégica cada vez mais importante entre África e Europa. A reunião, realizada a 21 de Setembro, abordou o aprofundamento da parceria entre Angola e a União Europeia, com destaque para o investimento, a diversificação económica, a conectividade, o Corredor do Lobito e a iniciativa Global Gateway.
Mais do que uma fotografia diplomática, este encontro demonstra que as relações internacionais são construídas em torno de interesses, oportunidades, compromissos e responsabilidades. Na diplomacia, as palavras abrem portas, mas são os resultados que mantêm essas portas abertas.
António Costa destacou o papel de Angola na promoção de soluções africanas para os desafios da paz e da segurança, tanto a nível regional como continental. A mensagem tem relevância política e diplomática: a estabilidade de África não pode ser construída exclusivamente a partir de fora. África precisa de participar na definição das respostas aos seus próprios problemas e de assumir maior responsabilidade pelo seu futuro.
Angola, pela sua dimensão, localização geográfica, recursos naturais e experiência diplomática, procura desempenhar um papel relevante nas questões regionais. Mas influência internacional não se constrói apenas com discursos, encontros de alto nível ou declarações diplomáticas. Constrói-se com capacidade económica, instituições funcionais, diplomacia activa e, sobretudo, resultados concretos.
É precisamente neste ponto que a parceria com a União Europeia ganha importância. O investimento europeu pode contribuir para a diversificação da economia angolana, para a melhoria das infra-estruturas, para o reforço da conectividade e para a criação de novas oportunidades económicas. O Corredor do Lobito, em particular, representa uma oportunidade estratégica para aproximar infra-estruturas, comércio, minerais críticos e integração regional.
Mas uma oportunidade não é ainda um resultado.
Angola precisa de garantir que o investimento se transforma em emprego, conhecimento, tecnologia, empresas nacionais mais competitivas e desenvolvimento das comunidades. Não basta construir infra-estruturas; é necessário criar capacidade para que os angolanos participem na economia que essas infra-estruturas irão gerar.
Do outro lado, a União Europeia também enfrenta o desafio de construir uma relação com África que ultrapasse a tradicional lógica de fornecimento de matérias-primas. Uma parceria verdadeiramente estratégica deve produzir benefícios concretos para ambas as partes, incluindo investimento, transferência de conhecimento, formação profissional, industrialização e criação de valor local.
A verdadeira parceria mede-se pelo que fica depois das reuniões.
Se Angola quer afirmar-se como uma voz relevante em África, precisa de demonstrar capacidade para transformar diplomacia em desenvolvimento. Se a União Europeia pretende aprofundar a sua relação com África, precisa igualmente de transformar compromissos políticos em projectos concretos e mutuamente vantajosos.
No fim, as perguntas são simples: quantos empregos serão criados? Quanto conhecimento será transferido? Quantas empresas angolanas participarão? Quanto valor permanecerá em Angola? Que impacto terão estes investimentos na vida das comunidades?
É aí que a diplomacia deixa de ser apenas protocolo e passa a ser desenvolvimento.
Porque uma parceria estratégica não se mede pelo número de fotografias produzidas, nem pela quantidade de declarações assinadas. Mede-se pelos resultados que chegam às pessoas.
Este post já foi lido 40 vezes.
