PARA MELHORAR O PAÍS NÃO BASTA MUDAR OS PROTAGONISTAS

LUANDA CAPITAL

Podemos substituir ministros, governadores, directores e administradores. Podemos alterar lideranças e reorganizar instituições. Mas, se os novos protagonistas reproduzirem os mesmos comportamentos, as mesmas práticas e a mesma cultura de poder, que transformação teremos realmente produzido?

Mudar o Governo sem mudar a mentalidade pode significar apenas trocar os actores e manter o mesmo guião.

É aqui que a discussão precisa de ir além dos nomes e dos partidos. Angola precisa de discutir instituições, cultura política, responsabilidade, mérito, transparência, prestação de contas e relação entre o Estado e o cidadão.

Porque não basta colocar pessoas novas em estruturas antigas e esperar resultados completamente diferentes.

Um rosto novo não garante uma prática nova. Uma liderança nova não garante uma cultura nova. E uma promessa nova não garante uma Angola nova.

A verdadeira transformação começa quando mudamos aquilo que consideramos normal.

Se ontem condenávamos o nepotismo, não podemos aceitá-lo amanhã porque beneficia os nossos. Se criticávamos a falta de transparência, não podemos defendê-la quando muda o grupo que dela beneficia. Se exigíamos competência dos outros, devemos exigir a mesma competência dos nossos.

A mudança que só é defendida quando beneficia o nosso lado não é mudança: é conveniência.

Também precisamos de abandonar a ideia de que todos os problemas de Angola serão resolvidos pela simples chegada de um novo grupo ao poder. Governar é mais do que substituir pessoas. É construir sistemas que funcionem independentemente de quem ocupa o cargo.

Uma sociedade madura não pergunta apenas “quem vai governar?”. Pergunta também: “como vai governar, com que instituições e segundo que princípios?”

Angola precisa de renovação política, mas também precisa de renovação mental.

Não basta trocar os protagonistas; é preciso mudar o guião.

Porque, se o guião permanecer igual, os novos actores acabarão por representar a mesma história.

A verdadeira revolução que Angola precisa talvez não comece no Palácio Presidencial.

Começa na cabeça de cada angolano.

Mudar governos faz parte da democracia. Mudar mentalidades é o que pode mudar uma sociedade.

Birmingham , 21 de Setembro de 2026

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