As palavras do ministro do Interior, Manuel Homem, sobre o papel da família na formação dos jovens merecem ser valorizadas num momento em que Angola enfrenta desafios sociais que exigem respostas colectivas. Quando o ministro destaca a presença dos pais, o diálogo, a atenção às mudanças de comportamento e a transmissão de valores, toca num ponto essencial: nenhuma sociedade pode ser verdadeiramente forte se a família estiver fragilizada.
Malundo Kudiqueba
A família é o primeiro espaço onde uma criança aprende a distinguir o certo do errado, a respeitar o próximo, a assumir responsabilidades e a compreender o significado de solidariedade. Antes da escola, da igreja, das instituições ou das redes sociais, existe a família. A primeira educação começa em casa.
Estar presente não significa apenas garantir alimentação, roupa ou educação escolar. Significa conversar, ouvir, acompanhar e perceber quando alguma coisa está diferente. Um jovem que muda repentinamente de comportamento pode estar a enfrentar problemas que não consegue explicar. Às vezes, o silêncio de um jovem é um pedido de ajuda.
É por isso que o diálogo dentro de casa tem um valor extraordinário. Uma conversa entre um pai e um filho pode parecer simples, mas pode acontecer precisamente no momento em que uma decisão importante está a ser tomada. Uma palavra de orientação pode evitar uma amizade perigosa, uma escolha errada ou até uma tragédia. Uma conversa de dez minutos pode mudar uma vida inteira.
O Estado tem responsabilidades fundamentais na educação, segurança e protecção dos cidadãos, mas nenhuma instituição consegue substituir completamente a presença afectiva e diária da família. Polícia, escola, igrejas, organizações sociais e outras instituições podem apoiar, mas não conseguem ocupar o lugar dos pais e dos familiares. A sociedade pode ajudar a família, mas não pode substituir a família.
Transmitir valores também significa preparar os jovens para enfrentar um mundo onde existem pressão social, violência, drogas, criminalidade, excesso de informação e modelos de comportamento nem sempre positivos. Valores como respeito, honestidade, disciplina, responsabilidade e solidariedade continuam actuais. Um jovem bem orientado é também uma sociedade mais protegida.
Por isso, a mensagem de Manuel Homem deve ser entendida para além da segurança pública: é um apelo à responsabilidade colectiva. Cuidar dos jovens começa muito antes de qualquer intervenção policial. Começa em casa, numa conversa, num abraço, numa pergunta e numa família que decide estar presente. Porque prevenir uma queda é sempre melhor do que tentar levantar alguém depois de cair.
Birmingham, 14 de Setembro de 2026
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