Luanda procura afirmar-se cada vez mais como um dos principais centros de concertação diplomática do continente africano. A realização da 21.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana reforçou, segundo o representante permanente de Angola junto da organização, Miguel Bembe, a posição da capital angolana como um verdadeiro “hub diplomático” africano com dimensão global.
A afirmação reflecte uma estratégia que procura colocar Angola não apenas como participante, mas como interveniente activo na procura de soluções para os principais desafios políticos e de segurança do continente.
Durante uma palestra no Instituto de Defesa Nacional, dedicada à geopolítica do Corno de África e às suas implicações para Angola, o diplomata destacou a importância do chamado “Processo de Luanda”, apresentado como um modelo de mediação assente no diálogo, na concertação e no princípio da não-ingerência.
A ambição é transformar a experiência diplomática acumulada por Angola numa ferramenta de influência regional. Num continente marcado por conflitos, instabilidade política, crises humanitárias e disputas geopolíticas, a capacidade de mediar e aproximar posições pode representar um importante activo estratégico.
Mas a influência diplomática precisa de ser acompanhada por capacidade económica e infraestrutural. É neste contexto que surge o Corredor do Lobito, apresentado como uma plataforma capaz de aproximar Angola, República Democrática do Congo, Zâmbia e parceiros internacionais.
A diplomacia moderna já não se faz apenas nas salas de conferências. Faz-se também através de corredores económicos, portos, caminhos-de-ferro, energia, tecnologia, comércio e conectividade.
Miguel Bembe destacou ainda desafios relacionados com a defesa nacional, segurança marítima, inteligência artificial, recolha de dados e alterações climáticas.
Para Angola, estas questões exigem uma política externa cada vez mais preparada para antecipar crises e proteger os interesses nacionais.
A transformação de Luanda num centro diplomático de referência, contudo, dependerá da capacidade do país de converter visibilidade internacional em resultados concretos para a economia e para os cidadãos.
Angola pode ter voz nas grandes decisões de África. O próximo desafio é garantir que essa voz seja acompanhada por influência, capacidade e resultados.
Luanda pode ser o palco. Mas o verdadeiro poder estará na capacidade de Angola transformar diplomacia em estratégia nacional.
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