Abel Chivukuvuku é um político com história própria, identidade própria e percurso político suficientemente conhecido para não precisar de andar na sombra de outro político da oposição. Quem conhece o seu verdadeiro valor não precisa de se esconder atrás de ninguém para ser reconhecido. Na política, como na vida, quem tem luz própria não precisa de viver da iluminação dos outros.
Malundo Kudiqueba
Chivukuvuku já demonstrou que tem capacidade para construir um discurso político próprio, mobilizar pessoas e colocar temas importantes no centro do debate nacional. Por isso, seria um desperdício político vê-lo transformar-se apenas num acompanhante de projectos alheios ou numa figura secundária dentro de uma estratégia construída por outros.
Isto não significa que um político não possa fazer alianças. A democracia exige diálogo, concertação e capacidade de construir pontes. Mas existe uma diferença enorme entre fazer uma aliança e abdicar da própria identidade política. Uma coisa é caminhar ao lado de alguém; outra é aceitar caminhar sempre atrás de alguém.
E aqui fica o recado para toda a oposição angolana: aliança não pode significar anulação. Um partido não deve desaparecer para que outro apareça. Um líder não deve diminuir a sua voz para que outro seja ouvido. E uma força política não deve abandonar os seus princípios apenas porque acredita que, juntando-se a outra, terá mais possibilidades de chegar ao poder.
A oposição precisa de compreender uma verdade simples: os eleitores não procuram apenas uma fotografia conjunta entre líderes políticos. Procuram propostas, competência, credibilidade, coerência e, sobretudo, confiança. Uma coligação pode juntar partidos, mas não consegue juntar automaticamente credibilidade.
Há ainda uma questão que não pode ser ignorada: alguns daqueles que hoje defendem determinadas alianças políticas tiveram, no passado recente, razões suficientes para se separarem. Se ontem existiam divergências profundas, desconfianças e incompatibilidades políticas, é legítimo perguntar o que mudou hoje. A política pode mudar de estratégia, mas não pode apagar a memória.
O problema da oposição angolana não é apenas a falta de união. É também a dificuldade de construir uma união baseada em princípios, programa e confiança. Unir-se apenas para derrotar alguém não basta; é preciso saber para quê, como e para fazer o quê depois da vitória.
Abel Chivukuvuku, pela sua trajectória, não precisa de provar que existe politicamente através da existência de outro líder. Pode dialogar com todos, negociar com todos e construir entendimentos com todos, sem deixar de ser Abel Chivukuvuku.
E este recado não é apenas para ele. É para todos os partidos da oposição: não transformem a política numa corrida para descobrir quem consegue esconder melhor a sua própria identidade atrás da identidade do outro.
Quem conhece o seu valor não implora por espaço.
Quem tem ideias não precisa de emprestar ideias.
Quem tem projecto não precisa de viver do projecto alheio.
E quem pretende governar Angola amanhã precisa de demonstrar hoje que consegue caminhar com outros sem deixar de saber para onde vai.
A oposição precisa de alianças, sim. Mas precisa ainda mais de identidade, coerência e coragem. Porque juntar forças é inteligente; perder a própria identidade para juntar forças é fraqueza.
Birmingham, 04 de Setembro de 2026
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