O Presidente da República, João Lourenço, defendeu, em Luanda, uma nova abordagem africana para a prevenção e resolução de conflitos, apelando aos Estados do continente para transformarem os compromissos políticos em medidas concretas capazes de produzir resultados duradouros.
Ao intervir numa Sessão Extraordinária da União Africana dedicada ao reforço dos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos, o Chefe de Estado destacou a necessidade de tornar mais eficazes os instrumentos actualmente disponíveis para antecipar crises, promover a mediação e encontrar soluções para os conflitos que continuam a afectar diferentes regiões de África.
Para João Lourenço, a prevenção deve ocupar um lugar central na estratégia continental. Em vez de esperar que as tensões políticas, sociais ou militares evoluam para confrontos armados, os países africanos devem utilizar atempadamente os instrumentos diplomáticos e institucionais existentes para identificar os sinais de crise e actuar antes que seja demasiado tarde.
O Presidente angolano defendeu igualmente que as decisões tomadas colectivamente pelos Estados africanos precisam de mecanismos de acompanhamento mais eficazes. Segundo a perspectiva apresentada, não basta adoptar resoluções ou declarações: é necessário estabelecer responsabilidades claras, definir prazos e garantir que os compromissos assumidos sejam efectivamente executados.
A mobilização de recursos financeiros foi igualmente apontada como uma componente essencial. A prevenção de conflitos, a mediação e as operações de paz exigem capacidade institucional e meios suficientes para que as iniciativas africanas não dependam exclusivamente de respostas externas.
A mensagem apresentada pelo Chefe de Estado coloca a paz como uma condição fundamental para o desenvolvimento do continente. Sem estabilidade, torna-se mais difícil combater a pobreza, promover investimentos, melhorar as condições de vida das populações e concretizar os objectivos definidos na Agenda 2063 da União Africana.
João Lourenço apelou ainda à responsabilidade colectiva dos países africanos na construção de um continente mais seguro para as novas gerações. A aposta, segundo a visão defendida, deve passar pelo diálogo, pela diplomacia, pela cooperação regional e pela capacidade de resolver divergências sem recurso à violência.
A Sessão Extraordinária da União Africana surge, assim, como uma oportunidade para reforçar a arquitectura africana de paz e segurança. O desafio está agora em transformar as palavras em acções concretas, fazendo da prevenção uma prioridade permanente e não apenas uma resposta quando os conflitos já começaram.
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