Angola poderá estar a preparar uma nova aposta estratégica no setor energético: a produção nacional de combustível sustentável para a aviação, conhecido internacionalmente como SAF. A iniciativa está a ser ponderada pela Sonangol depois de um estudo científico desenvolvido por técnicos da petrolífera estatal ter identificado condições favoráveis para o desenvolvimento desta indústria no país.
O projeto surge num momento em que a aviação internacional procura alternativas aos combustíveis tradicionais e aumenta a pressão para reduzir as emissões de carbono. Para Angola, esta transformação poderá representar uma oportunidade para diversificar a sua economia e aproveitar recursos nacionais que, até agora, têm sido pouco explorados.
O presidente da Comissão Executiva da Sonangol Refinação e Petroquímica, Joaquim Quiteculo, destacou o potencial da biomassa existente no país como uma das bases para a futura produção de SAF. Segundo o responsável, a possibilidade poderá ganhar maior dimensão com a implementação da bio-refinaria de Luanda.
A eventual produção nacional poderá recorrer a matérias-primas que não são derivadas de combustíveis fósseis, incluindo resíduos vegetais, óleos de origem vegetal, gorduras animais e outros subprodutos com potencial de valorização industrial.
Mais do que produzir combustível, a iniciativa poderá contribuir para criar uma nova cadeia económica em Angola. A agricultura poderá fornecer matérias-primas, enquanto empresas industriais, centros de investigação, universidades e operadores logísticos poderão participar numa cadeia de valor ligada à produção e distribuição de combustíveis sustentáveis.
A aposta no SAF poderá também colocar Angola perante uma nova realidade: deixar de olhar para a transição energética apenas como uma ameaça ao setor petrolífero e começar a tratá-la como uma oportunidade de transformação.
A Sonangol poderá, assim, utilizar a experiência acumulada no setor energético para entrar num mercado emergente e estratégico. Se o projeto avançar, Angola poderá transformar biomassa, resíduos e conhecimento científico em combustível, emprego e novas oportunidades de investimento.
Num mundo que procura energia mais limpa, o desafio para Angola será transformar o potencial existente em projetos concretos. O SAF poderá ser um dos caminhos para essa transformação.
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