O preço do petróleo Brent, referência para as exportações angolanas, terminou a sessão desta quinta-feira nos 91,62 dólares por barril, registando uma subida de 0,66%. A valorização acontece num contexto marcado pelo impasse diplomático entre os Estados Unidos da América e o Irão e pelo agravamento das tensões no Médio Oriente.
O Brent mantém, assim, uma trajectória ascendente pela quarta sessão consecutiva e permanece acima dos 90 dólares desde o início da semana. Para Angola, um dos países africanos cuja economia continua fortemente ligada às receitas petrolíferas, esta evolução merece particular atenção.
Quando o preço do petróleo sobe, Angola ganha uma oportunidade. Quando o preço cai, Angola recebe um aviso.
A actual valorização está relacionada com as preocupações dos mercados em torno da estabilidade do fornecimento mundial de petróleo. A ausência de avanços diplomáticos entre Washington e Teerão aumenta a incerteza e mantém os investidores atentos aos riscos que podem afectar as rotas estratégicas de transporte de energia.
Entre os pontos mais sensíveis está o estreito de Ormuz, uma das principais vias marítimas para o transporte mundial de petróleo. A manutenção do impasse entre os dois países alimenta receios de perturbações no abastecimento internacional, factor que tende a pressionar os preços em alta.
No mercado petrolífero, a geopolítica transforma rapidamente uma crise regional numa preocupação global.
Para Angola, uma cotação acima dos 90 dólares pode representar uma conjuntura favorável para as receitas de exportação, sobretudo se os preços permanecerem elevados durante um período prolongado. No entanto, a experiência demonstra que o petróleo é um mercado extremamente volátil e dependente de acontecimentos que muitas vezes estão fora do controlo dos países produtores.
Por isso, mais importante do que celebrar uma subida temporária é aproveitar os períodos favoráveis para fortalecer a economia nacional.
O petróleo pode financiar o desenvolvimento, mas não pode ser confundido com desenvolvimento.
Angola precisa de transformar receitas petrolíferas em infra-estruturas, capital humano, produção nacional, indústria, agricultura, tecnologia e emprego. A subida do Brent deve ser encarada como uma janela de oportunidade para acelerar a diversificação económica.
O desafio é simples de definir, mas difícil de executar: transformar uma riqueza finita numa base sustentável para o futuro.
Enquanto os mercados acompanham Washington, Teerão e o estreito de Ormuz, Angola deve olhar para dentro e perguntar como utilizar melhor cada dólar obtido com o petróleo.
O preço do barril pode subir ou descer. O que não pode continuar a oscilar é a ambição de Angola em construir uma economia menos dependente do petróleo.
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