Angola procura transformar o potencial mineiro em maior rentabilidade

DIAMANTES

Uma das principais apostas está no Programa Executivo CAMINAS de Aceleração de Negócios Mineiros, que prevê melhorar a preparação técnica e financeira dos títulos mineiros existentes, atribuídos a operadores, criando condições para acelerar investimentos e transformar activos mineiros em negócios economicamente mais eficientes.

Angola tem recursos no subsolo, mas o verdadeiro desafio está em transformar riqueza geológica em riqueza económica.

A existência de importantes reservas minerais, por si só, não garante desenvolvimento. É necessário criar condições para que os projectos avancem, sejam financiados, produzam e gerem emprego, receitas fiscais, conhecimento e oportunidades para as comunidades.

A preparação técnica e financeira dos títulos mineiros assume, neste contexto, uma importância estratégica. Projectos bem estruturados tornam-se mais atractivos para investidores, reduzem riscos e aumentam a possibilidade de mobilização de capital nacional e estrangeiro.

Um título mineiro parado não cria emprego, não gera impostos e não desenvolve uma comunidade. Um projecto mineiro em produção pode transformar uma região inteira.

O reforço do investimento privado deverá ser acompanhado por maior transparência, rigor na atribuição e fiscalização dos direitos mineiros, bem como por mecanismos que assegurem o cumprimento das obrigações dos operadores.

Angola precisa igualmente de avançar para uma exploração mineira que vá além da simples extracção. A transformação local dos recursos deve ocupar um lugar central na estratégia económica, permitindo acrescentar valor antes da exportação.

Não basta exportar o minério; é preciso exportar valor acrescentado.

A criação de cadeias industriais ligadas à mineração poderá estimular novas empresas, desenvolver fornecedores nacionais, formar quadros especializados e aumentar a participação de empresários angolanos no sector.

O desafio é transformar o potencial mineral numa verdadeira plataforma de diversificação económica. Diamantes, ouro, ferro, cobre, terras raras e outros recursos podem desempenhar um papel importante na construção de uma economia menos dependente do petróleo.

O Programa CAMINAS surge, assim, num momento em que Angola procura acelerar a actividade mineira e melhorar o aproveitamento dos títulos existentes.

O futuro da mineração angolana não deve ser medido apenas pelas toneladas extraídas, mas pelo número de empregos criados, empresas desenvolvidas, impostos arrecadados e comunidades transformadas.

A riqueza mineral de Angola pertence ao presente, mas a responsabilidade de a transformar em desenvolvimento pertence às gerações de hoje.

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