Angola prepara-se para dar um passo importante na transformação dos seus recursos minerais. A primeira Refinaria de Ouro do país, localizada no Pólo Industrial de Viana, em Luanda, deverá entrar em funcionamento ainda este ano, segundo informação divulgada pelo Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás.
Mais do que uma nova unidade industrial, a refinaria representa uma mudança de paradigma: Angola começa a deixar de ser apenas um país que extrai recursos para assumir, cada vez mais, o desafio de os transformar dentro das suas próprias fronteiras.
A nova infra-estrutura terá capacidade para processar até 25 quilogramas de ouro por dia, permitindo refinar, certificar e comercializar o metal precioso em território nacional. A iniciativa pretende reforçar a cadeia de valor do sector mineiro e criar condições para que uma maior parcela da riqueza gerada pelos recursos naturais permaneça no país.
Não basta retirar ouro do subsolo; é preciso transformar o ouro em emprego, conhecimento, indústria, receitas e oportunidades para os angolanos.
Durante décadas, uma das grandes limitações das economias africanas ricas em recursos naturais esteve precisamente na reduzida capacidade de transformação local. Exportam-se matérias-primas e importam-se produtos de maior valor acrescentado. O resultado é conhecido: o recurso sai, mas uma parte significativa da riqueza também sai com ele.
A entrada em funcionamento da refinaria poderá contribuir para inverter essa lógica.
O verdadeiro valor de um recurso natural não está apenas no que se encontra debaixo da terra, mas na capacidade que um país demonstra para transformar essa riqueza em desenvolvimento.
A refinaria poderá igualmente fortalecer a formalização e a organização da actividade de comercialização do ouro, melhorar os processos de certificação e contribuir para uma maior transparência na cadeia de produção e comercialização.
Angola possui recursos minerais significativos, mas o desafio passa agora por transformar potencial em resultados concretos. Para isso, será necessário continuar a investir em infra-estruturas, tecnologia, formação de quadros nacionais, fiscalização e mecanismos que garantam que a exploração mineira beneficie efectivamente a economia e as comunidades.
O petróleo colocou Angola no mapa energético mundial. O ouro e outros minerais podem ajudar a escrever o próximo capítulo da diversificação económica.
A primeira Refinaria de Ouro surge, assim, como símbolo de uma Angola que procura acrescentar valor aos seus recursos, desenvolver indústria nacional e reduzir a dependência da simples exportação de matérias-primas.
Angola tem ouro. O grande desafio é fazer com que esse ouro também brilhe na vida dos angolanos.
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