O ministro das Relações Exteriores, Téte António, manteve, no domingo, em Durban, África do Sul, um encontro de trabalho com a directora executiva da Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD), Nardos Bekele-Thomas. A reunião serviu para analisar o estado da cooperação entre Angola e esta importante instituição continental e identificar novas oportunidades de parceria.
Durante o encontro, foram avaliadas iniciativas e projectos desenvolvidos em diferentes áreas de interesse comum, bem como as perspectivas para aprofundar a colaboração. A AUDA-NEPAD desempenha um papel relevante na promoção do desenvolvimento sustentável, na integração regional e continental e na mobilização de recursos destinados à concretização das prioridades de África. África não precisa apenas de discursos sobre desenvolvimento; precisa de instituições fortes capazes de transformar compromissos em resultados concretos.
A cooperação entre Angola e a AUDA-NEPAD assume particular importância num momento em que os países africanos procuram encontrar respostas próprias para desafios relacionados com o crescimento económico, infra-estruturas, industrialização, integração dos mercados e desenvolvimento humano. O fortalecimento das instituições continentais é essencial para que África consiga definir e executar as suas próprias prioridades. Um continente que não financia as suas próprias prioridades continuará demasiado dependente das prioridades definidas por outros.
Um dos momentos de destaque da reunião foi o reconhecimento da contribuição voluntária de Angola para a AUDA-NEPAD. Nardos Bekele-Thomas felicitou o país pelo gesto, considerando-o uma demonstração do compromisso angolano com o fortalecimento das instituições e dos mecanismos de desenvolvimento da União Africana.
Esta contribuição permitirá à Agência reforçar a capacidade de implementação de programas alinhados com as prioridades da União Africana e os objectivos da Agenda 2063, visão estratégica que procura construir uma África integrada, próspera, pacífica e liderada pelos próprios africanos. A soberania política torna-se incompleta quando não é acompanhada por capacidade económica e institucional.
Para Angola, participar activamente nos mecanismos africanos de desenvolvimento significa também afirmar o seu papel na construção de soluções continentais. O país possui dimensão económica, recursos naturais, posição geográfica estratégica e experiência diplomática que podem contribuir para uma África mais integrada e com maior capacidade de negociação internacional.
O diálogo entre Téte António e Nardos Bekele-Thomas demonstra que Angola pretende continuar a desempenhar um papel activo na agenda continental. Mais do que contribuir financeiramente, é fundamental transformar essa participação em projectos, conhecimento, infra-estruturas e oportunidades para os povos africanos. África será verdadeiramente livre quando tiver capacidade para transformar a sua própria riqueza em desenvolvimento para os seus próprios povos.
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