Téte António e CICV Reforçam Diálogo sobre os Desafios Humanitários em Angola

MIREX TETE ANTONIO

Num continente onde os conflitos continuam a provocar deslocações, destruição e sofrimento, Angola pode desempenhar um papel mais activo na promoção de uma cultura de prevenção, diálogo e assistência humanitária. A paz não se constrói apenas nas salas onde se reúnem os chefes de Estado. Constrói-se também onde estão as famílias que perderam as suas casas, os jovens privados de oportunidades e as comunidades atingidas pela violência.

A cooperação entre Angola, o CICV e o Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho deve, por isso, ser encarada como uma oportunidade para reforçar capacidades nacionais. Não basta responder às crises depois de estas acontecerem. É necessário investir na prevenção, na formação, na protecção das populações vulneráveis e na preparação das instituições para responderem rapidamente às emergências.

A próxima visita a Luanda da presidente do CICV, Mirjana Spoljaric, por ocasião da Cimeira Extraordinária da União Africana, poderá igualmente abrir espaço para uma discussão mais ampla sobre os desafios humanitários de África. Angola tem experiência histórica na superação de conflitos e pode transformar essa experiência em conhecimento, cooperação e diplomacia.

Outro ponto relevante é a promoção do Direito Internacional Humanitário. Conhecer e aplicar estes princípios é fundamental para proteger civis e reduzir o impacto dos conflitos armados. A força de um Estado também se mede pela capacidade de proteger quem está mais exposto.

A apresentação das Cartas Credenciais de Jean-Nicolas Paquet-Rouleau representa, neste contexto, mais do que uma formalidade diplomática. É uma oportunidade para consolidar uma relação institucional orientada para resultados concretos.

Angola precisa de uma diplomacia que fale de paz, mas que também ajude a construí-la. Precisa de instituições capazes de antecipar crises, proteger vidas e mobilizar parceiros e fortalecer instituições. Porque uma política externa verdadeiramente estratégica não se limita a representar o país no mundo: também deve contribuir para tornar o mundo mais seguro para os povos africanos.

A paz não é apenas ausência de guerra. É a capacidade de proteger vidas antes, durante e depois da crise.

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