Angola precisa de uma nova cultura de pensamento: antes de importar soluções, deve estudar profundamente a sua própria realidade. Cada sociedade tem uma história, uma cultura, uma estrutura económica e desafios específicos que não podem ser tratados através de receitas universais. Quem não conhece a sua realidade corre o risco de aplicar soluções para problemas que não existem.
Malundo Kudiqueba
A reflexão defendida pelo Presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, na Lunda-Sul, coloca uma questão essencial no centro do debate nacional: até que ponto Angola está a produzir conhecimento sobre si própria? Não basta conhecer o que outros países fizeram; é necessário compreender por que razão determinadas soluções funcionaram noutros contextos e se podem realmente responder às necessidades angolanas. Copiar não é desenvolver; compreender é o primeiro passo para transformar.
Durante décadas, muitos países em desenvolvimento procuraram adaptar modelos económicos, sociais e institucionais concebidos noutras realidades. Alguns conseguiram resultados, outros ficaram presos a soluções que não responderam às suas especificidades. Angola não pode cometer o erro de confundir modernização com imitação. Um país que copia permanentemente o caminho dos outros nunca descobre a força do seu próprio caminho.
As universidades têm aqui uma responsabilidade histórica. Devem investigar Angola com profundidade, produzir dados, analisar comportamentos sociais, estudar as províncias, compreender as comunidades e apresentar propostas baseadas em evidências. A academia não pode limitar-se a reproduzir teorias estrangeiras; deve produzir conhecimento capaz de explicar e transformar a sociedade angolana. Uma universidade que não estuda o seu próprio país deixa um vazio que outros acabam por preencher.
É igualmente importante reconhecer que a globalização não significa a existência de uma sociedade mundial completamente homogénea. A aproximação entre povos é uma realidade, mas as diferenças continuam a determinar comportamentos, prioridades e respostas políticas. Globalização deve aproximar sociedades, não apagar a identidade de cada uma.
Angola tem recursos naturais, população jovem, localização estratégica, diversidade cultural e enormes desafios sociais. Transformar esse potencial em desenvolvimento exige inteligência nacional, instituições capazes e uma visão de longo prazo. Não basta perguntar o que fizeram os outros; é preciso perguntar o que funciona para Angola, para Benguela, para Cabinda, para a Lunda-Sul, para o Cuando Cubango e para cada comunidade. O desenvolvimento começa quando deixamos de procurar respostas prontas e começamos a fazer as perguntas certas.
A verdadeira soberania não está apenas no território, nas instituições ou nos recursos naturais. Está também na capacidade de pensar, investigar e decidir de acordo com os interesses nacionais. Um país intelectualmente dependente dificilmente será plenamente estratégico. A soberania política começa pela soberania do pensamento.
O futuro de Angola não pode ser uma cópia de nenhum outro país. Deve ser resultado da capacidade dos angolanos de estudar a sua realidade, aprender com o mundo e construir soluções próprias. Angola não precisa de copiar o futuro dos outros; precisa de ter coragem para construir o seu.
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