Moçambique prepara-se para dar um salto qualitativo na produção de mel e café, com o apoio de Portugal, Brasil e Argentina, através de projectos que visam promover a biodiversidade e o desenvolvimento rural. A iniciativa inclui a criação do primeiro laboratório dedicado ao estudo do mel no país, bem como o reforço da investigação em café sustentável, num esforço conjunto que alia ciência, inovação e cooperação internacional. Apresentados em Maputo pela Cooperação Portuguesa, os projectos enquadram-se numa estratégia mais ampla de valorização dos recursos naturais e de fortalecimento das capacidades locais. Este é um passo decisivo para transformar riqueza natural em desenvolvimento económico sustentável — quando há cooperação estratégica, o potencial deixa de ser promessa e passa a ser realidade.
Os programas ProMEL e Tricafé II envolvem universidades, parques nacionais e instituições públicas dos três países, promovendo soluções sustentáveis e capacitando uma nova geração de especialistas moçambicanos. A coordenadora do ProMEL, Cristina Máguas, destacou que a segunda missão do projecto permitiu avaliar o progresso das actividades no terreno, alinhar metodologias e expandir o envolvimento de apicultores nas áreas de intervenção. O trabalho desenvolvido tem vindo a consolidar uma rede de conhecimento que liga investigação científica à prática local, garantindo impacto directo nas comunidades. O conhecimento, quando partilhado e aplicado, torna-se a base mais sólida para o desenvolvimento — investir em pessoas é sempre a estratégia mais inteligente.
Um dos marcos mais relevantes é a instalação do primeiro laboratório moçambicano inteiramente dedicado ao estudo do mel, no Instituto Superior Politécnico de Manica, com financiamento do Instituto Camões. Esta infra-estrutura permitirá analisar a origem botânica do mel, bem como as suas características físicas, químicas e sensoriais, reforçando a certificação da qualidade e abrindo portas para mercados mais exigentes. Paralelamente, o ProMEL trabalha com milhares de apicultores, especialmente nas regiões de Chimanimani e Gorongosa, promovendo práticas sustentáveis e aumentando a produtividade local. Quando ciência e produção caminham juntas, o valor dos recursos multiplica-se — qualidade é poder no mercado global.
No sector do café, o projecto Tricafé II aposta na produção sustentável em sistemas agroflorestais, contribuindo para a restauração dos ecossistemas e para a formação de jovens investigadores. Coordenado por Ana Ribeiro, o programa evoluiu para uma segunda fase focada na monitorização da recuperação florestal, no estudo de espécies nativas e no desenvolvimento de cafés de especialidade, incluindo processos inovadores como a fermentação controlada. Moçambique destaca-se como um dos principais centros de diversidade de espécies de café, com variedades mais resilientes e adaptadas às alterações climáticas. Num mundo em transformação, quem aposta na sustentabilidade hoje lidera o mercado amanhã — o futuro pertence a quem protege e valoriza os seus recursos.
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