É cada vez mais preocupante assistir ao ataque dirigido a um jovem guineense apenas por ter expressado a sua opinião sobre Angola. Desde quando comentar a realidade de outro país se tornou crime? Em que momento decidimos que só os angolanos podem falar de Angola?
A incoerência é evidente. Todos os dias, angolanos comentam o que acontece no Brasil, criticam decisões políticas em Portugal, analisam conflitos na Europa e opinam sobre líderes africanos. Programas de televisão, rádios e redes sociais estão repletos de comentadores que discutem temas internacionais sem qualquer restrição. Jornalistas, analistas políticos e influenciadores digitais fazem disso a sua profissão interpretar o mundo, questionar decisões e gerar debate.
Basta olhar para os grandes comentadores internacionais: falam sobre guerras em países onde nunca estiveram, analisam eleições estrangeiras e criticam governos de outras nações. Isso faz parte de uma sociedade global informada. Então por que razão um jovem guineense não pode falar de Angola?
O problema não está na opinião, mas na fragilidade de quem não sabe lidar com ela. Quando a crítica externa gera revolta em vez de reflexão, revela-se uma mentalidade fechada, insegura e pouco preparada para o debate democrático. Atacar quem fala é sempre mais fácil do que argumentar com inteligência.
Vivemos numa era globalizada. A informação circula em segundos, as fronteiras tornaram-se simbólicas e o debate é cada vez mais internacional. Tentar silenciar vozes externas não só é inútil como também contraproducente. Angola não pode crescer isolada numa bolha de orgulho ferido.
É preciso maturidade. É preciso perceber que ouvir opiniões diferentes não diminui o país fortalece-o. Países desenvolvidos evoluem precisamente porque aceitam críticas, internas e externas, e usam-nas para melhorar.
Angola não pode exigir respeito enquanto reage com intolerância. O respeito conquista-se com abertura, não com ataques.
No fim, a pergunta permanece: queremos ser um país que dialoga com o mundo ou um país que se fecha sobre si próprio?
Angola cresce quando aprende a ouvir nunca quando tenta calar.
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