Um agitador político nunca deve ser confundido com um verdadeiro comentador político. A diferença entre ambos não é subtil é profunda, é ética, é moral. O comentador político analisa, questiona, investiga e esclarece. Já o agitador distorce, inflama, manipula e acusa sem qualquer responsabilidade.
Malundo Kudiqueba
Num tempo em que a palavra tem poder e alcance imediato, confundir estas duas figuras é um erro perigoso. O comentador sério constrói pontes de entendimento; o agitador constrói muros de desinformação. Um eleva o debate público, o outro afunda-o no caos emocional e na desconfiança permanente.
O verdadeiro comentador sabe que a credibilidade não se grita constrói-se com factos, com rigor, com coerência. Ele não teme a verdade, mesmo quando ela é incómoda. Já o agitador político vive da emoção fácil, da acusação vazia, do aplauso imediato. Alimenta-se do ruído, porque no silêncio dos factos não sobrevive.
É preciso coragem para comentar com seriedade, mas basta irresponsabilidade para agitar multidões. E é aqui que reside o maior perigo: quando o público começa a confundir barulho com conteúdo, emoção com verdade, repetição com prova. Uma sociedade que aceita agitadores como comentadores está, na verdade, a abrir mão da sua capacidade crítica.
Mais grave ainda é quando acusações graves são lançadas sem provas, manchando reputações e semeando desconfiança nas instituições. Isso não é liberdade de expressão é abuso dela. A liberdade exige responsabilidade. Sem isso, transforma-se numa arma de destruição do próprio tecido social.
Angola, como qualquer sociedade que ambiciona maturidade democrática, precisa urgentemente de mais comentadores e menos agitadores. Precisa de vozes que informem, não que confundam. Que esclareçam, não que manipulem. Que elevem, não que degradem.
No final, a escolha é colectiva: ou valorizamos o pensamento crítico e o rigor, ou continuaremos reféns de quem faz do barulho a sua única estratégia. Porque um agitador político pode ganhar atenção, mas nunca merecerá respeito. E sem respeito, não há debate há apenas caos.
Birmingham, 26 de Junho de 2026
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