Jornalistas e comentadores: criticar o MPLA todos os dias dá popularidade — mas não dá credibilidade

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Malundo Kudiqueba

Mais grave ainda: esta crítica repetitiva e pouco fundamentada acaba por fragilizar o próprio espaço público. Em vez de elevar o debate, reduz-o. Em vez de esclarecer, confunde. Em vez de construir, desgasta. O resultado é um ambiente onde a emoção substitui a razão e onde o barulho se sobrepõe aos factos.

E sem factos, não há jornalismo, há propaganda.

Outro erro frequente é a simplificação excessiva. Reduzir todos os problemas de Angola a uma única causa é intelectualmente desonesto. O país enfrenta desafios estruturais, históricos e complexos. Exigem análise séria, não slogans repetidos. Exigem responsabilidade, não oportunismo.

Pensamento simplista é inimigo da verdade.

Curiosamente, esta estratégia também tem um efeito perverso: acaba por beneficiar quem é criticado. Uma oposição previsível, repetitiva e pouco rigorosa deixa de ser levada a sério. E quando deixa de ser levada a sério, perde a sua força. A crítica vazia fortalece exactamente aquilo que pretende combater.

Ser popular é fácil. Basta dizer aquilo que muitos querem ouvir. Basta atacar o alvo certo, no momento certo, com o tom certo. Mas ser credível é outra coisa. Exige trabalho, exige provas, exige consistência. Exige, acima de tudo, responsabilidade.

Popularidade compra-se com barulho. Credibilidade constrói-se com verdade.

Angola não precisa de mais vozes previsíveis. Precisa de vozes sérias. Precisa de jornalistas que investiguem, que questionem com base em factos, que apresentem contexto e não apenas opinião. Precisa de pensamento crítico, não de repetição automática.

Porque no fim, o tempo separa os barulhentos dos credíveis.

E essa é a diferença que realmente importa.

Birmingham, 06 Junho de 2026

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