Em Angola, instalou-se uma tendência cada vez mais evidente: criticar o MPLA todos os dias tornou-se um atalho fácil para ganhar visibilidade. Não exige grande investigação, não obriga a profundidade, e garante reacções imediatas. Basta publicar, atacar e repetir. O resultado é previsível: aplausos rápidos e atenção mediática. Mas visibilidade não é sinónimo de credibilidade. A crítica política é um pilar fundamental de qualquer sociedade que se pretende democrática. Questionar o poder é necessário. Denunciar falhas é legítimo. Exigir responsabilidade é um dever. No entanto, quando a crítica se transforma num exercício automático e diário, perde-se aquilo que lhe dá valor: o rigor, a prova e a consistência. Há comentadores que perceberam esta lógica e exploram-na sem pudor. Sabem que a indignação vende. E, por isso, repetem a fórmula até à exaustão. O problema é que, ao fazerem isso, deixam de informar e passam a encenar. Quem fala todos os dias acaba por não dizer nada de novo.
Malundo Kudiqueba
Mais grave ainda: esta crítica repetitiva e pouco fundamentada acaba por fragilizar o próprio espaço público. Em vez de elevar o debate, reduz-o. Em vez de esclarecer, confunde. Em vez de construir, desgasta. O resultado é um ambiente onde a emoção substitui a razão e onde o barulho se sobrepõe aos factos.
E sem factos, não há jornalismo, há propaganda.
Outro erro frequente é a simplificação excessiva. Reduzir todos os problemas de Angola a uma única causa é intelectualmente desonesto. O país enfrenta desafios estruturais, históricos e complexos. Exigem análise séria, não slogans repetidos. Exigem responsabilidade, não oportunismo.
Pensamento simplista é inimigo da verdade.
Curiosamente, esta estratégia também tem um efeito perverso: acaba por beneficiar quem é criticado. Uma oposição previsível, repetitiva e pouco rigorosa deixa de ser levada a sério. E quando deixa de ser levada a sério, perde a sua força. A crítica vazia fortalece exactamente aquilo que pretende combater.
Ser popular é fácil. Basta dizer aquilo que muitos querem ouvir. Basta atacar o alvo certo, no momento certo, com o tom certo. Mas ser credível é outra coisa. Exige trabalho, exige provas, exige consistência. Exige, acima de tudo, responsabilidade.
Popularidade compra-se com barulho. Credibilidade constrói-se com verdade.
Angola não precisa de mais vozes previsíveis. Precisa de vozes sérias. Precisa de jornalistas que investiguem, que questionem com base em factos, que apresentem contexto e não apenas opinião. Precisa de pensamento crítico, não de repetição automática.
Porque no fim, o tempo separa os barulhentos dos credíveis.
E essa é a diferença que realmente importa.
Birmingham, 06 Junho de 2026
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