“VAI PARA TUA TERRA”

Vai para terra onde nasceste

“VAI PARA TUA TERRA”

Quando alguém te disser: “vai para a tua terra”

Responde com calma:
“Desculpe… por acaso o senhor é o dono desta terra?”

Andamos todos a agir como proprietários do mundo,
mas na realidade somos apenas… inquilinos de passagem.

A única “terra” que verdadeiramente nos pertence
é aquela onde um dia todos vamos parar:
debaixo da terra.

Portanto, convém baixar um pouco a arrogância imobiliária.

Porque se não vais levar nada daqui
nem casa, nem rua, nem país, nem fronteira
então talvez não faça muito sentido andar a expulsar pessoas
de algo que nem sequer é teu.

No fundo, é curioso:
há quem fale como dono,
mas vive como passageiro.

No fundo, é curioso:
há quem fale como dono,
mas vive como passageiro.

Há quem herde um país…
e ache que herdou o direito de humilhar.

Há quem nunca saiu da sua rua…
e pensa que conhece o mundo inteiro.

Moral da história: 
antes de dizer “vai para a tua terra”,
lembra-te
tu também estás só de visita.

E o contrato… não tem data de renovação.

A verdade é esta:
ninguém escolhe onde nasce,
mas toda a gente escolhe como trata os outros.

E isso vale mais do que qualquer bandeira.

Moral da história:
antes de dizer “vai para a tua terra”,
lembra-te
tu também estás só de visita.

Por isso, menos arrogância,
mais humanidade.

Porque no fim,
a única coisa que levas
é a forma como trataste quem encontraste pelo caminho.

Quando alguem diz vai para tua terra No fundo, esta frase não fala de geografia. Fala de frustração.

Porque há quem acredite que felicidade é um privilégio territorial:
“Se és estrangeiro, deves estar pior que eu.”

Mas a realidade é mais desconfortável:
há gente simples, estrangeira, que ri mais do que muito “nativo”.
Há quem tenha menos dinheiro e mais paz.
Há quem venha de fora e construa mais do que quem nunca saiu do lugar.

E isso incomoda.

Porque obriga a encarar uma verdade difícil:
não é o estrangeiro que ameaça é o espelho que ele traz.

Afinal, se alguém chega com menos e consegue sorrir mais… então o problema não era o país. Era outra coisa.

No fim, “vai para a tua terra” diz muito pouco sobre quem chega
e diz tudo sobre quem não está bem onde está.

E talvez por isso, no mundo inteiro, haja cada vez mais gente a responder com ironia:

“Eu até ia… mas parece que vocês já estão lá também.”

Malundo Kudiqueba

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