Há uma nova moda em Angola que está a ultrapassar todas tendências “estás a falar à toa”.
Antigamente, quando alguém não concordava com uma ideia, apresentava argumentos. Hoje, basta sacar da arma secreta:
— “Estás a falar à toa!”
Pronto. Debate encerrado. A lógica foi presa, os factos foram deportados e o raciocínio entrou de férias.
Parece que para algumas pessoas “fala à toa” virou resposta automática.
O problema é que chamar alguém de “fala à toa” não torna ninguém mais inteligente.
A inteligência não se mede pela capacidade de insultar, mas pela capacidade de explicar, ouvir e responder com argumentos.
Se uma pessoa apresenta uma opinião, o ideal é responder com outra opinião. Se apresenta factos, responda com factos. Se apresenta números, responda com números.
Porque quando a única resposta é “fala à toa”, o que muitas vezes se está a dizer é:
“Não percebi o que disseste, mas também não quero admitir.”
Por isso, fica o conselho aos angolanos:
Antes de dizer “estás a falar à toa”, faça uma pequena análise ao motor do pensamento. Verifique se há argumentos, ideias ou algum raciocínio disponível. Se não houver, talvez o problema não esteja na fala do outro.
Como diria um sábio de bairro:
“Quem chama todo o mundo de fala à toa corre o risco de ser promovido a director-geral da ignorância.”
E lembrem-se:
Nem toda a conversa que não entendemos é conversa à toa. Às vezes, é apenas uma conversa que chegou a uma paragem onde o nosso autocarro intelectual ainda não passou.
Malundo Kudiqueba
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