Enquanto em Angola, hoje em dia, qualquer um parece querer ser Presidente da República, há exemplos noutros contextos que mostram como o acesso a cargos de liderança pode estar associado a critérios rigorosos e exigentes. No Real Madrid, um dos maiores clubes de futebol do mundo, não basta ter ambição para se candidatar à presidência. O candidato deve comprovar um património superior a 187 milhões de euros e, além disso, ter pelo menos 20 anos como sócio do clube. Estes critérios não existem por acaso: visam garantir estabilidade, compromisso de longo prazo e capacidade financeira para liderar uma instituição com enorme responsabilidade.
Malundo Kudiqueba
Em Angola, o cenário é muitas vezes o oposto. No espaço público, multiplicam-se vozes — comentadores, activistas e políticos — que se posicionam como potenciais candidatos à Presidência, como se a função fosse apenas uma questão de vontade ou visibilidade mediática. A ambição política, que em si não é negativa, torna-se problemática quando não é acompanhada por critérios claros de competência, experiência e responsabilidade institucional.
Esta realidade levanta uma questão importante: que exigências devem existir para alguém aspirar a liderar um país? Se até numa organização desportiva privada se impõem critérios rigorosos, por que razão o debate político, que envolve o destino de milhões de cidadãos, parece por vezes tão permissivo?
Mais do que limitar candidaturas, trata-se de elevar o nível de exigência no espaço público. Liderar um país exige mais do que popularidade ou discurso; exige preparação, visão estratégica, integridade e um compromisso real com a nação.
Sem essa cultura de exigência, corre-se o risco de transformar a política num palco de ambições pessoais, em vez de um espaço de construção colectiva. E, nesse contexto, a mudança que tantos desejam dificilmente passará de uma promessa repetida.
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