Ser Presidente de Angola Nunca Será Fácil Pelas Seguintes Razões

Fama e poder JLO ACJ ANGOLA 1.

Malundo Kudiqueba

O tecido social angolano apresenta debilidades que transcendem qualquer figura presidencial. A corrupção, por exemplo, não nasce nem termina nos corredores do poder; ela infiltra-se em diversas camadas da sociedade, tornando-se um fenómeno endémico. Em certa ocasião, num debate com um jornalista angolano, procurei demonstrar que a corrupção é transversal. O mesmo, porém, confundiu os conceitos ao afirmar que os políticos da oposição não são corruptos apenas porque ainda não governaram. Tal argumento revela uma perigosa ingenuidade.

“Não é a ausência de poder que purifica o homem, mas sim o seu carácter.”

Mais ainda, houve quem tentasse separar actos ilícitos, classificando-os arbitrariamente como “roubo” e não “corrupção”, como se tal distinção atenuasse a gravidade moral. Esta forma limitada de pensar demonstra que o verdadeiro desafio de Angola reside na mentalidade colectiva.

“Um país não progride quando a sua consciência permanece estagnada.”

A obsessão pelo enriquecimento rápido, o desejo de tornar-se bilionário em um só dia, a falta de respeito pelo próximo, e a constante disputa pelo poder, são sintomas de uma crise mais profunda. Todos querem mandar, poucos querem servir. Muitos julgam-se génios, mesmo carecendo de conhecimento básico. A humildade tornou-se rara, enquanto a arrogância e a ignorância prosperam tanto na classe política quanto na sociedade civil.

“A arrogância colectiva é mais perigosa do que a pobreza material.”

Há, ainda, uma cultura de boicote, onde o sucesso alheio é visto como ameaça e não como inspiração. Tal comportamento mina qualquer tentativa de progresso sustentável.

Dentre os factores que dificultam o desenvolvimento de Angola, destacam-se:

  1. Corrupção endémica em vários níveis da sociedade
  2. Falta de educação cívica e moral
  3. Cultura de enriquecimento rápido
  4. Ausência de meritocracia
  5. Nepotismo e favoritismo
  6. Fraca qualidade do ensino
  7. Desrespeito pelas instituições
  8. Individualismo excessivo
  9. Falta de visão estratégica a longo prazo
  10. Dependência económica de poucos sectores
  11. Desigualdade social acentuada
  12. Cultura de impunidade
  13. Falta de responsabilidade individual
  14. Boicote ao sucesso alheio
  15. Arrogância e resistência à aprendizagem

“Nenhuma nação se ergue quando os seus cidadãos recusam olhar para dentro de si mesmos.”

Ser Presidente, neste contexto, é enfrentar não apenas problemas administrativos, mas uma batalha constante contra hábitos enraizados e mentalidades limitadas. Nenhuma reforma terá sucesso pleno se não houver uma transformação interior do próprio povo.

“Angola só mudará verdadeiramente quando cada angolano assumir a sua quota de responsabilidade.”

Assim, culpar exclusivamente o Presidente é não só injusto, como também um obstáculo à própria evolução nacional. O futuro de Angola não depende de um único homem, mas da consciência colectiva de milhões.

Birmingham, 21 de Abril de 2026

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