Luís Gomes Sambo defende formação médica em Angola alinhada com padrões internacionais

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Segundo o especialista em Saúde Pública, não basta formar médicos em quantidade — é essencial garantir qualidade, rigor e compatibilidade com os padrões globais. O currículo deve estar não apenas ajustado à realidade nacional, mas também alinhado com exigências internacionais, permitindo que os profissionais angolanos possam competir e actuar em qualquer parte do mundo com competência e credibilidade.

Formar médicos sem qualidade é comprometer o futuro da saúde.

Luís Gomes Sambo sublinhou que a estrutura curricular deve ser coerente, bem organizada e directamente ligada às necessidades do sistema de saúde angolano, sem perder de vista os critérios internacionais. A formação de especialistas, em particular, deve assentar em bases sólidas, integrando conhecimentos científicos, prática clínica e uma forte componente de saúde pública.

Neste contexto, destacou o papel fundamental de instituições como o INAAREES e o Instituto de Especialidades da Saúde, que têm a responsabilidade de regular, avaliar e garantir a qualidade da formação pós-graduada. A coordenação entre estas entidades é vista como essencial para assegurar padrões elevados e uniformidade no ensino médico.

Sem regulação eficaz, não há qualidade sustentável.

Outro ponto relevante abordado foi a importância da aprendizagem auto-dirigida. Para o antigo ministro da Saúde, os médicos internos não devem depender exclusivamente de docentes e supervisores, mas assumir um papel activo na construção do seu próprio conhecimento.

O médico do futuro constrói-se também pela iniciativa própria.

Esta abordagem valoriza a responsabilidade individual e prepara profissionais mais autónomos, capazes de se adaptar a contextos diversos e em constante evolução. A formação médica moderna exige não apenas conhecimento técnico, mas também capacidade crítica, ética e compromisso com a actualização contínua.

No que diz respeito ao conteúdo da formação, Luís Gomes Sambo defendeu que este deve variar conforme a especialidade, mas sempre com base sólida adquirida durante a licenciatura. Áreas como fundamentos científicos, prática clínica, saúde pública, ética, sociologia e psicologia foram apontadas como essenciais para uma formação completa.

Um médico completo não se forma apenas com técnica, mas com visão humana e social.

O responsável chamou ainda a atenção para a necessidade de reforçar a formação em saúde pública em África, alertando para uma tendência excessiva de concentração nas áreas clínicas. Segundo ele, o equilíbrio entre prevenção e tratamento é crucial para responder aos desafios reais do continente.

No plano institucional, defendeu uma governação partilhada entre entidades reguladoras e profissionais, incluindo a Ordem dos Médicos de Angola, como forma de garantir maior transparência, eficiência e qualidade no sistema formativo.

A qualidade da saúde começa na qualidade da formação.

O congresso contou com a presença de várias figuras do sector, incluindo representantes governamentais e gestores hospitalares, demonstrando a relevância do tema para o futuro do país. O alinhamento com padrões internacionais não é apenas uma exigência técnica, mas uma necessidade estratégica para elevar o nível da saúde em Angola.

Angola não precisa apenas de mais médicos, precisa de melhores médicos.

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