O maior trunfo de Angola é, sem margem para dúvida, o seu povo um povo resiliente, criativo, trabalhador e capaz de se reinventar mesmo nas circunstâncias mais adversas, um povo que carrega nos ombros o peso da história, mas que nunca deixou de acreditar num amanhã melhor, transformando dificuldades em força e desafios em oportunidades, mostrando ao mundo que a verdadeira riqueza de uma nação não está apenas nos seus recursos naturais, mas sobretudo na dignidade, coragem e determinação das suas gentes. Nenhum país é mais forte do que o espírito do seu povo.
Eu ainda acredito em Angola, não como um acto de ingenuidade, mas como uma escolha consciente e firme de quem reconhece os problemas, mas se recusa a ser dominado por eles, porque acreditar não é fechar os olhos à realidade, é encará-la com coragem e decidir que ela pode e deve ser transformada, é recusar o conformismo e assumir uma postura activa na construção de soluções, mesmo quando tudo parece difícil. A esperança não é fraqueza, é uma forma de resistência.
Recuso-me a aceitar o negativismo que se tornou, para muitos, uma forma cómoda de olhar o país, como se tudo estivesse condenado ao fracasso e nada pudesse mudar, porque esse tipo de pensamento não constrói, apenas paralisa, alimenta o desânimo e enfraquece a vontade colectiva de lutar por dias melhores, criando uma cultura de desistência silenciosa que mina qualquer possibilidade de progresso. O negativismo é o primeiro passo para a derrota antes mesmo da luta começar.
Recuso-me também a aceitar o pessimismo que transforma cada tentativa de mudança numa crítica antecipada, cada iniciativa num motivo de desconfiança e cada esforço num alvo de descrédito, porque um país não avança quando os seus próprios filhos deixam de acreditar nele, quando a dúvida constante substitui a confiança e quando a crítica deixa de ser construtiva para se tornar destrutiva. O pessimismo constante é um veneno lento que corrói o futuro de uma nação.
Mais do que isso, recuso-me a desejar o fracasso de quem está a governar, porque é um erro grave pensar que o insucesso dos líderes políticos afecta apenas quem governa, quando na verdade as consequências recaem sobre todo o país, sobre cada família, cada jovem e cada trabalhador que depende de decisões acertadas para viver com dignidade, sendo por isso fundamental adoptar uma postura de exigência responsável, mas também de apoio quando as decisões são correctas. Desejar o fracasso do governo é desejar o sofrimento do povo.
A minha filosofia assenta na ideia de que todos temos um papel a desempenhar na construção de Angola, independentemente da posição política, da condição social ou das diferenças de opinião, porque o país não pertence a um partido nem a um grupo restrito, pertence a todos nós, e só com participação activa, sentido de responsabilidade e compromisso colectivo será possível transformar desafios em conquistas reais. Angola constrói-se com união, não com divisão.
Continuarei, por isso, a acreditar em Angola, a defender o seu povo e a rejeitar tudo aquilo que enfraquece a sua esperança, porque desistir nunca será uma opção enquanto houver potencial por realizar, talento por valorizar e sonhos por cumprir, e porque a verdadeira mudança começa na forma como cada um de nós decide olhar e agir perante o país. Acreditar em Angola é o primeiro passo para fazê-la vencer.
Birmingham, 07 de Abril de 2026.
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