O analista político com ligações à UNITA Albino Pakisse afirmou publicamente e de forma irresponsável que poderia ser morto caso recorresse a tratamento nos hospitais Girassol e Multiperfil. Mais grave ainda, insinuou que membros e dirigentes da UNITA têm evitado os hospitais públicos por receio de serem assassinados por alegados infiltrados ou até por profissionais de saúde. Trata-se de uma acusação extremamente séria, que não só levanta alarme social, como também ofende de forma generalizada todos os profissionais de saúde que, diariamente, colocam a ética, o dever e a vida humana acima de qualquer interesse. O comentador Albino Pakisse não se posiciona como um analista político independente, mas sim como um porta-voz do líder do principal partido da oposição, ao limitar-se a amplificar, reproduzir e reiterar de forma constante as suas posições.
Declarações desta natureza não podem ser banalizadas nem tratadas com leviandade. Ao sugerir que médicos, enfermeiros e técnicos de saúde possam estar envolvidos em práticas criminosas, está-se a colocar em causa a credibilidade de todo um sector essencial à sociedade. Os hospitais são espaços de cuidado, de salvação e de esperança, e não podem ser transformados em palco de suspeições infundadas. Este tipo de discurso fragiliza a confiança pública e desrespeita quem trabalha com dedicação e profissionalismo.
Por outro lado, importa recordar que o referido analista beneficiou, durante anos, de espaço mediático e visibilidade, nomeadamente enquanto comentador da TV Zimbo. Foi nesse contexto que construiu a sua imagem pública, usufruindo de condições e liberdade de expressão que hoje parecem ser ignoradas no seu discurso. Levanta-se, por isso, uma questão legítima sobre coerência e gratidão institucional.
Ao adoptar agora um tom de ataque e desvalorização em relação à TV Zimbo, bem como aos seus actuais comentadores, o analista demonstra uma postura que muitos poderão interpretar como ingrata. Criticar é legítimo, mas fazê-lo com desprezo por uma instituição que contribuiu para a sua projecção pública levanta dúvidas quanto à consistência do seu posicionamento. A memória institucional deve ser acompanhada de responsabilidade.
Num momento em que Angola procura consolidar a estabilidade e fortalecer as suas instituições, é fundamental que o discurso público seja pautado pelo rigor, pela responsabilidade e pelo respeito. Acusações graves exigem provas concretas, sob pena de se transformarem em meras insinuações prejudiciais ao bem comum. O país precisa de um debate político sério, construtivo e comprometido com a verdade.
O comentador Albino Pakisse não actua como um verdadeiro analista político, mas antes como um porta-voz do líder do maior partido da oposição, na medida em que amplifica, reproduz e repete sistematicamente as suas posições. Essa postura levanta questões legítimas sobre a independência e a credibilidade do seu discurso no espaço público.
De tempos em tempos, surgem declarações semelhantes por parte de outras figuras políticas, como a Dra. Webba, o que demonstra um padrão preocupante de discurso. Recorde-se igualmente que o próprio líder da UNITA chegou a fazer referências graves, como a possibilidade de colocação de minas durante deslocações ao Moxico, o que gerou inquietação e preocupação na sociedade.
Todas estas declarações são sérias e devem ser analisadas com responsabilidade, sobretudo num contexto sensível como o mês da reconciliação. Espera-se, neste período, um discurso que promova a unidade, o entendimento e o respeito mútuo, e não o contrário. A reconciliação nacional exige prudência, equilíbrio e compromisso de todos os actores políticos e sociais.
A reconciliação não é um acto isolado, mas uma responsabilidade colectiva que deve ser assumida por todos os angolanos, independentemente da sua filiação política. O país já conhece demasiado bem as consequências da divisão e do conflito.
Angola não quer regressar à guerra. O povo angolano quer paz, estabilidade e desenvolvimento.
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