No âmbito das celebrações do 4 de Abril, Dia da Paz e da Reconciliação Nacional, a UNITA dirigiu-se ao povo angolano com um apelo carregado de simbolismo, exortando ao perdão dos passivos da guerra fratricida e à consolidação de uma paz duradoura assente na tolerância e no respeito mútuo. A mensagem, divulgada por ocasião desta data histórica, sublinha que a reconciliação nacional exige coragem moral para reconhecer erros do passado e maturidade colectiva para construir pontes onde antes existiram divisões profundas. Ao evocar os longos anos de conflito que marcaram Angola, o partido recorda que as conquistas da Independência, da democracia e da paz foram alcançadas à custa de sacrifícios incalculáveis, inscritos de forma indelével na memória das famílias angolanas.
Malundo Kudiqueba
Mais do que uma evocação histórica, o posicionamento da UNITA representa um gesto político que procura reforçar a confiança entre os angolanos e promover uma cultura de convivência baseada no diálogo e na inclusão.
A organização política presta igualmente homenagem a todos aqueles que lutaram pela liberdade e unidade nacional, destacando não apenas os membros dos movimentos de libertação, mas também cidadãos anónimos que contribuíram para o destino colectivo do país.
Neste contexto, o 4 de Abril surge como um marco incontornável da história contemporânea de Angola, simbolizando o fim das hostilidades militares e o início de uma nova etapa orientada para a reconstrução e o desenvolvimento.
O apelo ao perdão é, assim, apresentado como um instrumento essencial para ultrapassar ressentimentos e consolidar uma identidade nacional mais coesa e resiliente.
A UNITA relembra que foi a 4 de Abril de 2002 que se formalizou, em Luanda, o Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka, documento que selou o cessar-fogo definitivo e abriu caminho para a resolução das questões militares pendentes.
Este acordo, também conhecido como Memorando do Luena, representou o culminar de um longo e complexo percurso negocial entre angolanos, iniciado ainda antes da proclamação da Independência, com diversos encontros e cimeiras que procuraram estabelecer bases para a paz.
Entre esses momentos destacam-se as reuniões de Kinshasa, Luena (Luso), Mombaça e Nakuru, que funcionaram como etapas preparatórias para os Acordos de Alvor, assinados a 15 de Janeiro de 1975, e que definiram os termos da transição política em Angola.
Esses acordos previam a realização de eleições para uma Assembleia Constituinte e para a escolha de um Presidente da República, culminando na proclamação da Independência Nacional a 11 de Novembro de 1975.
Contudo, divergências políticas e interesses antagónicos acabariam por conduzir o país a um conflito prolongado, cujas consequências ainda hoje se fazem sentir em vários sectores da sociedade.
É precisamente por essa razão que a UNITA insiste na necessidade de eliminar todas as formas de intolerância política e social, consideradas ameaças reais à estabilidade e à reconciliação nacional.
O partido defende que apenas através do respeito pela diferença, da valorização do pluralismo e do compromisso com o bem comum será possível garantir uma paz efectiva e duradoura.
A efeméride do 4 de Abril é, por isso, mais do que uma celebração, constituindo um momento de reflexão profunda sobre o passado e de reafirmação dos valores que devem orientar o futuro da Nação.
Ao longo dos anos, Angola tem registado avanços significativos no domínio da reconstrução nacional, com melhorias visíveis nas infra-estruturas, na economia e nos serviços sociais, embora persistam desafios relevantes.
Neste quadro, o reforço da unidade na diversidade assume-se como um imperativo estratégico para assegurar a coesão nacional e promover o desenvolvimento sustentável.
A preservação da paz, considerada um dos maiores bens públicos, exige o envolvimento activo de todos os cidadãos, independentemente das suas convicções políticas ou origens sociais.
O apelo lançado pela UNITA inscreve-se, assim, numa lógica de responsabilidade histórica, convidando os angolanos a transformarem as lições do passado em alicerces para um futuro mais inclusivo.
A reconciliação não se constrói apenas com palavras, mas com atitudes concretas que promovam justiça, solidariedade e confiança entre os cidadãos.
Deste modo, o perdão surge não como sinal de fraqueza, mas como expressão de força colectiva e de compromisso com a construção de uma Angola verdadeiramente unida, democrática e voltada para o progresso.
Birmingham, 05 de Abril de 2026
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