Realizou-se hoje, na Embaixada de Angola em Londres, uma palestra subordinada aos temas da Paz, da Reconciliação e da Reconstrução Nacional, que contou com a presença de diplomatas e de membros da comunidade angolana radicada no Reino Unido. Foi um momento de reflexão profunda sobre o percurso do país rumo à Paz, à Reconciliação e à Reconstrução Nacional. A exposição fotográfica patente no evento ofereceu um retrato comovente das cicatrizes do passado e, simultaneamente, dos sinais inequívocos de esperança e renascimento que hoje marcam Angola. Cada imagem contava uma história de dor superada, de famílias reunidas e de um povo que escolheu erguer-se acima da divisão para construir um futuro comum.
Malundo Kudiqueba
A palestra subordinada ao tema “Contribuição do capital humano angolano na diáspora para o desenvolvimento do país” trouxe para o centro do debate o papel estratégico dos angolanos espalhados pelo mundo. Na sua intervenção, o conselheiro Klieston António sublinhou que a paz não deve ser entendida como um ponto de chegada, mas como um compromisso contínuo, exigente e inadiável. A paz não é apenas o silêncio das armas, é a coragem diária de escolher o diálogo em vez do confronto. Recordou ainda que a guerra deixou lições profundas, sendo a mais importante a certeza de que nenhum progresso sustentável pode nascer da destruição.
O diplomata foi peremptório ao afirmar que o desenvolvimento de uma nação assenta em pilares sólidos como a inclusão, a democracia e o multipartidarismo. Uma nação que dialoga é uma nação que cresce; uma nação que exclui é uma nação que se condena. Ao evocar o 4 de Abril, destacou que esta data deve ser vivida como um compromisso permanente com a convivência pacífica, a tolerância e o respeito mútuo entre todos os angolanos, independentemente das suas diferenças políticas, sociais ou culturais. Reconciliar não é esquecer o passado, é aprender com ele para não repetir os mesmos erros.
Por sua vez, o professor Doutor Domingos Vita trouxe uma perspectiva enriquecedora sobre o papel da diáspora no processo de desenvolvimento nacional. Sublinhou que o capital humano angolano no exterior é vasto e diversificado, composto não apenas por estudantes, mas também por profissionais altamente qualificados e empresários com experiência internacional. Este conjunto de competências representa uma oportunidade única para impulsionar o crescimento económico e social do país. A diáspora não é uma ausência, é uma extensão viva da nação além-fronteiras.
O académico apelou a um maior envolvimento dos angolanos no estrangeiro, incentivando-os a partilhar conhecimentos, promover a imagem de Angola e contribuir activamente para a diversificação da economia. Destacou igualmente a importância da atracção de investimento estrangeiro e do turismo, áreas onde a diáspora pode desempenhar um papel determinante. Reconstruir uma nação é transformar talento em progresso e conhecimento em desenvolvimento.
Segundo os dados apresentados, mais de 12 milhões de pessoas nascidas em Angola ou descendentes vivem fora do país, sendo Portugal e a República Democrática do Congo os principais destinos, seguidos pela África do Sul e pelo Reino Unido. Estes números revelam não apenas a dimensão da diáspora, mas também o enorme potencial que representa para o futuro de Angola. Nenhuma reconstrução é completa sem o contributo de todos os seus filhos, estejam eles onde estiverem.
A iniciativa, baseada num estudo qualitativo e analítico, procurou despertar consciências e mobilizar vontades, demonstrando que o caminho da Paz, Reconciliação e Reconstrução Nacional é uma responsabilidade colectiva. A verdadeira vitória de um povo não é vencer uma guerra, mas garantir que ela nunca mais volte a acontecer.
Birmingham, 04 de Abril de 2026.
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