O debate em torno das escolhas para um eventual governo da UNITA em 2027 tem levantado preocupações legítimas sobre competência, visão e responsabilidade. Ultimamente têm surgido alguns nomes que, segundo vários observadores, ficam aquém das exigências dos cargos que poderão vir a ocupar. Num país com desafios económicos e sociais profundos, não há espaço para experiências arriscadas nem para escolhas que não acrescentam valor. Governar Angola exige competência comprovada, não apostas duvidosas.
Malundo Kudiqueba
Entre os nomes já associados a futuras funções, Nuno Dala para o Ministério da Educação e Samussuku para os serviços secretos têm sido alvo de críticas consistentes. Nos bastidores alguns analistas e observadores apontam falta de experiência, perfil inadequado e ausência de provas dadas em áreas tão sensíveis. Estas escolhas levantam uma questão inevitável: estará a UNITA preparada para governar com rigor e qualidade? Nomeações fracas são sinais claros de um projecto político pouco sólido.
Perante este cenário, impõe-se uma alternativa clara: trazer competência da sociedade civil. Angola tem quadros altamente qualificados, com experiência técnica e visão estratégica, que poderiam contribuir de forma decisiva para um governo mais eficaz. Um desses nomes é Carlos Rosado de Carvalho, reconhecido pela sua capacidade analítica, conhecimento económico e intervenção pública consistente. Ignorar talento disponível é desperdiçar oportunidades para o país.
Carlos Rosado de Carvalho poderia ser uma escolha acertada para o Ministério da Economia ou até para integrar a Frente Patriótica Unida (FPU). A sua experiência, independência intelectual e domínio das questões económicas fariam dele um activo importante num eventual governo da UNITA. Num momento em que Angola precisa de soluções sérias para crescer e estabilizar, perfis como o seu são fundamentais. Um país não avança sem técnicos competentes nos lugares certos.
É verdade que nem todas as posições de Carlos Rosado de Carvalho são consensuais. A sua defesa da presença do FMI e do Banco Mundial em Angola é, para muitos, uma visão discutível, podendo levantar receios sobre dependência externa e condicionamento das políticas nacionais. Ainda assim, isso não apaga a sua competência técnica nem o seu valor enquanto economista. Discordar de ideias não é razão para ignorar competência.
O desafio que se coloca a Adalberto da Costa Júnior é simples: ter coragem para convidar os melhores, mesmo que não pertençam ao seu círculo político imediato. A dúvida que muitos colocam é se existe abertura real para integrar figuras independentes e fortes, ou se prevalece o receio de dividir protagonismo. Um líder seguro não teme rodear-se de pessoas mais competentes do que ele.
Se a UNITA quer ser uma alternativa credível de governação, precisa de elevar o nível das suas escolhas. Angola não pode continuar refém de decisões baseadas em conveniência política ou lealdades pessoais. O país precisa de competência, visão e responsabilidade. O convite a Carlos Rosado de Carvalho seria um sinal claro de mudança de rumo e de compromisso com a qualidade governativa. Quem quer governar bem tem de escolher melhor e isso ainda está por provar.
Birmingham, 28 de Março de 2026.
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