Na sequência das declarações do deputado Lourenço Lumingo, que afirmou que Cabinda não é Angola e que ele próprio não se considera angolano, impõe-se uma reflexão séria e urgente. Não se trata de uma opinião qualquer expressa num espaço informal. Trata-se de palavras proferidas por um representante eleito, no contexto de um Parlamento nacional, cuja missão é defender a integridade e os interesses do país.
Declarações desta natureza não podem ser ignoradas, relativizadas ou tratadas como mero desabafo politico. Quando um deputado coloca em causa a unidade territorial de Angola, está a tocar num dos pilares fundamentais do Estado. Mais grave ainda é fazê-lo ocupando um cargo que pressupõe lealdade à Constituição e à nação.
É, por isso, fundamental que a direcção da UNITA venha a público demarcar-se de forma clara e inequívoca dessas declarações. O silêncio, neste contexto, não é neutro. O silêncio levanta dúvidas, alimenta suspeitas e transmite uma mensagem perigosa de conivência. Se a UNITA não se pronunciar, ficará a ideia de que partilha, ou pelo menos tolera, essa visão separatista.
Por outro lado, se o deputado Lourenço Lumingo afirma não se considerar angolano, então deve agir em conformidade com essa posição. Permanecer no Parlamento angolano enquanto nega a sua identidade nacional é uma contradição inaceitável. O lugar que ocupa deve ser exercido por alguém que se reconheça como parte integrante da nação que representa.
Não se pode querer participar nas instituições de um Estado e, ao mesmo tempo, questionar a sua legitimidade territorial. Essa incoerência fragiliza o próprio sistema politico e desrespeita os cidadãos. O Parlamento não é um palco para agendas ambíguas ou discursos que colocam em causa a unidade nacional.
Caso a UNITA não venha a esclarecer a sua posição, levanta-se uma questão inevitável: terá esse partido condições morais para aspirar ao poder em Angola? Um projecto politico que não afirma, de forma clara, a unidade do país, dificilmente pode apresentar-se como alternativa credível de governação.
Cabinda é Angola, e qualquer discurso que sugira o contrário não contribui para a paz, nem para a estabilidade. Pelo contrário, reabre feridas, cria divisões e compromete o futuro colectivo. A ambição de governar exige responsabilidade, maturidade e compromisso com a integridade nacional.
O silêncio da direcção da UNITA é comprometedor. Revela mais do que parece à primeira vista. E, sobretudo, obriga os angolanos a questionarem que tipo de liderança está realmente a ser construída.
Angola precisa de união, clareza e firmeza. Cabinda é Angola.
A soberania nacional não se negocia.
O Parlamento exige responsabilidade. Se o deputado em questão não se considera angolano, então que faça um favor aos angolanos e abandone o parlamento. É simples!
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