Remover apenas uma pessoa do poder não resolve nem melhora os problemas estruturais do país. A saída de Nicolás Maduro mostrou isso claramente: a fome não acabou e os desafios da Venezuela continuam maiores do que nunca. Onde está a esperança para milhões de venezuelanos? Mesmo com o fim do regime de Maduro, o país ainda enfrenta uma crise humanitária e económica profunda, numa nação rica em petróleo, mas devastada por anos de má gestão, hiperinflação e políticas que deixaram grande parte da população sem acesso seguro à alimentação.
Malundo Kudiqueba
A crise alimentar na Venezuela não começou ontem. Ela é o resultado de décadas de deterioração silenciosa, em que salários corroídos e rendas congeladas empurraram milhões para a dependência de familiares ou de qualquer ajuda externa que apareça. O preço dos alimentos disparou, ultrapassando a capacidade da maioria das famílias de comprar o mínimo indispensável para sobreviver. Enquanto isso, os salários permanecem historicamente baixos, e a escolha diária de milhões de pessoas tornou-se cruel: comer ou pagar outras necessidades básicas.
Essa fome generalizada é uma ferida aberta na sociedade venezuelana. Crianças e idosos, os mais vulneráveis, enfrentam insegurança alimentar severa. Muitas famílias dependem de remessas enviadas do exterior ou de programas assistenciais limitados. Pessoas percorrem longas filas, tentam encontrar comida e recorrem a estratégias de sobrevivência apenas para colocar algo na mesa. A luta diária pela subsistência tornou-se uma rotina dolorosa e persistente.
Mais do que uma crise económica, esta é uma crise humana. A incapacidade do sistema de garantir alimentos suficientes demonstra a fragilidade das instituições e a dificuldade de reconstruir um país que perdeu infraestrutura produtiva, segurança social e poder de compra. Mesmo com expectativas de mudanças após a saída de Maduro, a população continua a enfrentar dificuldades brutais para satisfazer necessidades básicas como alimentação, saúde e acesso a bens essenciais.
Enquanto a fome persiste e a instabilidade económica continua, a pergunta ecoa nas ruas, nas comunidades e nas famílias venezuelanas: quando é que a sobrevivência deixará de ser o maior desafio do povo? A Venezuela enfrenta hoje não apenas a escassez de comida, mas também a perda de dignidade e esperança em suas próprias instituições.
Birmingham, 25 de Março de 2026.
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