O que Angola pode aprender com os Emirados Árabes Unidos e Qatar

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Malundo Kudiqueba

A primeira grande lição é a visão de longo prazo. Nos Emirados Árabes Unidos, o desenvolvimento não é improvisado. Há estratégia, continuidade e disciplina na implementação. Projectos são pensados para décadas, não para ciclos políticos. Angola precisa urgentemente desta mentalidade: planear mais e improvisar menos.

A segunda lição é a eficiência do Estado. Nos Emirados, a máquina administrativa funciona com rapidez e objectividade. Decisões são tomadas e executadas. Em Angola, muitas vezes, o excesso de burocracia, a falta de coordenação e a ineficiência travam o progresso. Sem um Estado funcional, não há desenvolvimento sustentável.

Outra questão sensível, mas inevitável, é o modelo político. Muitos argumentam que nos Emirados não há democracia nos moldes ocidentais. No entanto, a realidade mostra que o nível de vida, a segurança e as oportunidades económicas são elevados. Isto levanta uma reflexão profunda: a democracia, por si só, não garante desenvolvimento.

Em muitos países africanos, incluindo Angola, a chamada “democracia” não tem sido suficiente para gerar crescimento económico consistente, reduzir desigualdades ou melhorar a qualidade de vida da população. Eleições existem, mas os resultados práticos continuam aquém das expectativas. Isso não significa rejeitar a democracia, mas sim reconhecer que ela precisa de ser acompanhada por governação eficaz, responsabilidade e visão estratégica.

Outra lição fundamental dos Emirados é a aposta na diversificação económica. Dubai percebeu cedo que não podia depender apenas do petróleo. Investiu em turismo, aviação, comércio, tecnologia e serviços financeiros. Angola, por outro lado, continua excessivamente dependente do petróleo, o que a torna vulnerável a choques externos. Diversificar não é uma opção — é uma necessidade urgente.

Por fim, há a cultura de execução. Nos Emirados, projectos não ficam apenas no papel. São concretizados com rapidez e qualidade. Em Angola, o maior desafio não é a falta de ideias, mas a incapacidade de transformar planos em resultados concretos.

Em conclusão, Angola não precisa copiar os Emirados Árabes Unidos, mas deve aprender com eles. Disciplina, visão estratégica, eficiência do Estado e foco em resultados são os verdadeiros motores do desenvolvimento. A democracia só faz sentido quando produz resultados reais na vida das pessoas. Sem isso, torna-se apenas um conceito vazio.

O futuro de Angola depende menos do que possui e mais do que decide fazer com aquilo que tem.

Birmingham, 21 de Março 2026.

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