Candonga bancária em Portugal: bancos facturam milhões com comissões de manutenção de conta

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Malundo Kudiqueba

Em Portugal, praticamente todos os grandes bancos aplicam comissões de manutenção de conta. O cliente paga mensalmente apenas por ter a conta activa, mesmo que não utilize outros serviços adicionais. Em alguns casos, estas comissões podem parecer pequenas à primeira vista, mas quando somadas ao longo do ano representam valores consideráveis para muitas famílias.

Por exemplo, clientes da Caixa Geral de Depósitos relatam pagamentos mensais de cerca de cinco euros apenas pela manutenção da conta. Já em instituições como o Novo Banco, a comissão pode atingir valores ainda mais elevados, chegando a cerca de quinze euros por mês em determinados tipos de conta. Para muitos clientes, estas cobranças são vistas como um peso injustificado, sobretudo numa altura em que a maioria das operações bancárias é feita online e exige menos recursos humanos.

A questão torna-se ainda mais polémica quando comparada com o que acontece em outros países europeus. Em vários países da Europa, manter uma conta bancária pode custar muito pouco ou até ser gratuito, especialmente quando se utilizam serviços digitais. Em alguns casos, as comissões são simbólicas ou apenas aplicadas quando o cliente utiliza serviços adicionais específicos.

Em Portugal, no entanto, a realidade é diferente. Muitos clientes sentem que os bancos continuam a cobrar valores relativamente elevados apenas para manter o acesso a um serviço básico do sistema financeiro. Este cenário tem levado alguns especialistas a considerar que existe uma espécie de “candonga bancária”, expressão popular usada para descrever práticas que parecem excessivas ou desproporcionais para o consumidor comum.

Se analisarmos a situação em termos globais, os valores cobrados podem transformar-se numa fonte de receita muito significativa para os bancos. Imagine-se, por exemplo, uma instituição bancária com dois milhões de clientes activos. Se cada cliente pagar, em média, cerca de dez a quinze euros por mês em comissões, isso pode representar receitas mensais que ultrapassam facilmente dezenas de milhões de euros.

Num cenário em que a média de cobrança ronda os doze ou treze euros por cliente, um banco com dois milhões de contas poderia facturar cerca de vinte e cinco milhões de euros por mês apenas em comissões de manutenção. Ao longo de um ano, isso significaria centenas de milhões de euros provenientes exclusivamente deste tipo de cobrança.

Naturalmente, os bancos defendem que estas comissões são necessárias para cobrir custos operacionais, manutenção de sistemas tecnológicos, segurança digital e serviços ao cliente. No entanto, muitos consumidores argumentam que, com o avanço da digitalização e a redução do número de balcões físicos, esses custos deveriam diminuir em vez de continuar a aumentar.

Este debate torna-se ainda mais relevante numa época em que muitas famílias enfrentam dificuldades económicas, aumento do custo de vida e maior pressão financeira. Para quem utiliza a conta bancária apenas para receber salário e pagar despesas básicas, pagar todos os meses apenas para manter a conta activa pode parecer injusto.

Por essa razão, cresce o número de vozes que defendem maior transparência nas comissões bancárias e uma revisão das práticas do sector. Para muitos consumidores, a questão não é apenas o valor pago, mas o princípio de pagar mensalmente por um serviço que, em muitos outros países europeus, é considerado essencial e de baixo custo.

Birmingham, 15 de Março de 2026.

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