As eleições de 2027 poderão não produzir apenas um vencedor nas urnas. Poderão produzir um vencedor político. E nesse campo, o nome de Abel Chivukuvuku impõe-se com força crescente no panorama nacional. Chivukuvuku poderá não obter mais votos que os seus principais concorrentes o MPLA & a UNITA. Porém, isso não o impedirá de emergir como um dos grandes vencedores do processo eleitoral. Na política, vencer nem sempre significa chegar primeiro; muitas vezes significa alterar o jogo.
Malundo Kudiqueba/Street politics
Durante décadas, o cenário político angolano viveu preso a dois grandes pólos: o MPLA e a UNITA. Dois gigantes que dominaram a paisagem política e condicionaram todas as outras forças. Contudo, a emergência do PRA-JA abre uma nova brecha nesse equilíbrio. Essa brecha tem rosto. Tem voz. E tem história.
Abel Chivukuvuku possui algo que não se improvisa: capital político acumulado ao longo de anos de presença na vida pública. Conhece o país, conhece o eleitorado e conhece as engrenagens da política angolana. Não surge como um rosto desconhecido, mas como um nome que já faz parte da memória política do país.
Em Angola, a realidade eleitoral continua a obedecer a uma lógica muito própria. O povo segue personalidades antes de seguir programas. Segue nomes antes de seguir ideologias. A confiança deposita-se em homens com percurso, com presença e com autoridade política. E nesse terreno, Chivukuvuku move-se com naturalidade. Além de ser um orador sólido e convincente, Abel Chivukuvuku é, entre os políticos angolanos no activo, uma das poucas figuras capazes de se expressar em várias línguas nacionais. Fala com naturalidade umbundu, kikongo e tchokwe, e consegue igualmente comunicar em lingala.
O crescimento do PRA-JA dificilmente retirará votos ao MPLA. O impacto sentir-se-á sobretudo no espaço da oposição, particularmente no eleitorado tradicional da UNITA. Muitos desses eleitores conhecem Chivukuvuku, respeitam o seu percurso e reconhecem nele uma figura de peso dentro da política angolana.
Assim, mesmo que não conquiste a presidência, Abel Chivukuvuku poderá sair das eleições de 2027 politicamente mais forte do que entrou. Porque há momentos em que uma eleição não muda apenas um governo muda o centro de gravidade da política. E 2027 poderá ser precisamente esse momento.
Wolverhampton, 14 de Março de 2026.
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