Aos 41 anos, Cristiano Ronaldo começa a desenhar com nitidez o capítulo final de uma das carreiras mais marcantes da história do futebol. Depois de décadas ao mais alto nível, o internacional português prepara cuidadosamente a transição para fora das quatro linhas — e fê-lo da forma que sempre admitiu desejar: tornando-se proprietário de um clube.
Em 2023, quando ainda dava os primeiros passos no Al Nassr, Ronaldo assumiu publicamente que ambicionava ser dono de uma equipa. Na altura, reconheceu que estava na reta final da carreira e que o futuro passaria, muito provavelmente, por investir no jogo de outra perspetiva.
Três anos depois, a intenção tornou-se realidade. Através da sua empresa CR7 Sports Investments, adquiriu 25 por cento do capital do UD Almería, clube que milita na segunda divisão espanhola. O valor do negócio não foi tornado público, mas o simbolismo é evidente: trata-se de um regresso ao futebol espanhol, onde brilhou durante nove temporadas ao serviço do Real Madrid, antes da mudança para a Juventus, em 2018.
No comunicado divulgado após a oficialização do investimento, o capitão do Al Nassr e da seleção de Portugal sublinhou que há muito desejava contribuir para o futebol para além do papel de jogador. Destacou ainda as bases sólidas do Almería e o potencial de crescimento do projeto, mostrando-se motivado para colaborar ativamente na próxima fase de desenvolvimento do clube.
Este passo reforça a ideia de que o fim da carreira como atleta poderá estar próximo. O cinco vezes vencedor da Ballon d’Or já admitiu que o próximo Campeonato do Mundo será o último da sua carreira e reconhece que o tempo começa a impor limites, apesar da excelente condição física que mantém.
A mudança estratégica começou a ganhar forma após a saída conturbada do Manchester United, em 2022. A transferência para o futebol saudita marcou não só um novo desafio desportivo, mas também uma fase de consolidação empresarial. Nesse processo, terá sido determinante a proximidade com investidores influentes ligados ao universo do Al Nassr.
Ao contrário do percurso tradicional seguido por muitos ex-jogadores — que optam pelo treino ou pelo comentário desportivo — Ronaldo segue um caminho semelhante ao de David Beckham, proprietário do Inter Miami, ou de Kylian Mbappé, que detém participação maioritária no SM Caen. Com uma marca global consolidada e uma capacidade financeira invulgar, o português posiciona-se para influenciar o futebol também na vertente estrutural e estratégica.
Do ponto de vista financeiro, Ronaldo vive numa dimensão praticamente inédita no desporto-rei. É considerado o jogador mais bem pago da história do futebol e, segundo estimativas divulgadas pela Bloomberg, o seu património ultrapassa os mil milhões de libras, resultado de salários, prémios, investimentos e contratos publicitários. Tornou-se, assim, o primeiro futebolista a integrar o índice de bilionários da publicação, superando inclusivamente o seu rival histórico, Lionel Messi, que atualmente representa o Inter Miami nos Estados Unidos.
Mais do que um simples investimento, a entrada no capital do UD Almería representa uma declaração de intenções. Cristiano Ronaldo não está apenas a preparar o adeus aos relvados — está a garantir que, mesmo depois de pendurar as chuteiras, continuará a ser uma figura central no futebol mundial.
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