Num país onde o desemprego continua a ser um dos maiores desafios sociais, perseguir quem cria emprego é um erro estratégico e moral. O governo não deve sufocar os empreendedores. Deve apoiá-los. Não deve puni-los com medidas severas e incompreensíveis. Deve reconhecê-los como aliados no desenvolvimento nacional.
Malundo Kudiqueba
Quem abre uma empresa não está apenas a buscar lucro. Está a assumir riscos que muitos não têm coragem de assumir. Está a investir recursos próprios. Está a enfrentar incertezas. Está a acreditar no país quando muitos já perderam a esperança. Isso não pode ser tratado com desconfiança. Deve ser tratado com respeito.
Cada emprego criado no sector privado é uma família que deixa de depender exclusivamente do Estado. É um jovem que deixa de vaguear sem oportunidades. É uma casa onde volta a haver dignidade. Quem dá trabalho está a combater o desemprego de forma prática e imediata.
E há uma verdade que precisa ser dita sem rodeios: reduzir o desemprego é reduzir a criminalidade. A falta de oportunidades alimenta o desespero. O desespero alimenta o crime. Quando um jovem não encontra trabalho, ele torna-se vulnerável a caminhos errados. Quando encontra emprego, encontra propósito. Encontra responsabilidade. Encontra futuro.
Punir empreendedores com multas exageradas, fiscalizações abusivas ou regras confusas não fortalece o país. Enfraquece-o. Cada negócio que fecha por excesso de pressão é uma porta que se fecha para dezenas de trabalhadores. É um retrocesso silencioso na luta contra a pobreza.
O governo precisa compreender que o setor privado não é inimigo. É parceiro estratégico. É o motor que pode dinamizar a economia, diversificar fontes de rendimento e criar estabilidade social. Sem empresas fortes, não há crescimento sustentável. Sem crescimento sustentável, não há desenvolvimento real.
Um ambiente hostil ao empreendedorismo gera medo. E o medo paralisa investimentos. Quando as regras mudam constantemente, quando a burocracia é excessiva, quando as penalizações parecem desproporcionais, a mensagem que se transmite é clara: “arriscar não vale a pena”. E um país onde ninguém quer arriscar é um país que não avança.
É preciso inverter essa lógica. O Estado deve simplificar processos. Deve tornar a legislação clara e justa. Deve orientar antes de punir. Deve educar antes de multar. A fiscalização é necessária, mas deve ser equilibrada. Rigor não significa perseguição. Ordem não significa opressão.
Quem emprega está a prestar um serviço público. Está a contribuir para a estabilidade social. Está a aliviar a pressão sobre o próprio Estado. Cada salário pago por uma empresa privada é uma ajuda direta à economia nacional. É consumo que circula. É imposto que entra. É dignidade que se constrói.
A luta contra a criminalidade não se faz apenas com polícia nas ruas. Faz-se com oportunidades nas empresas. Faz-se com formação profissional. Faz-se com estímulo ao investimento. Segurança começa com emprego.
Angola precisa de mais empresários, não de menos. Precisa de mais confiança, não de mais medo. Precisa de políticas que incentivem a produção, o comércio, a indústria e a inovação.
O empreendedor não é problema. É parte da solução.
Apoiar quem cria emprego é investir na paz social. É investir na estabilidade. É investir no futuro.
Perseguir quem trabalha é sabotar o próprio país.
Se queremos reduzir o desemprego, precisamos fortalecer quem emprega. Se queremos reduzir o crime, precisamos aumentar as oportunidades.
Um governo forte é aquele que protege quem produz.
E um país cresce quando valoriza quem constrói.
Birmingham, 24 de Fevereiro de 2026.
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