O Governo de Moçambique anunciou que a transferência de 109,9 milhões de dólares para o Fundo Soberano de Moçambique (FSM), realizada em dezembro, contribuirá para a recuperação económica do país, apesar do cenário de contracção. Segundo o relatório de execução orçamental de 2025, o fundo, financiado com 40% das receitas da exploração de gás, permite ao Estado assegurar estabilidade macroeconómica e previsibilidade fiscal, mantendo o investimento público mesmo em períodos adversos.
O documento do Ministério das Finanças, obtido pela Lusa, destaca que o FSM pode sustentar setores estratégicos com elevado efeito multiplicador, estimulando a produção, o emprego e a procura interna. Além disso, a poupança soberana reforça a confiança dos investidores, reduz riscos macroeconómicos e atenua pressões inflacionistas e cambiais, criando condições para uma retoma gradual e sustentável do crescimento económico.
Queda da economia
A economia moçambicana recuou 0,85% no terceiro trimestre de 2025, acumulando um ano de quedas consecutivas, segundo o banco central, devido aos efeitos da tensão pós-eleitoral. No quarto trimestre de 2024, o país já tinha registado uma contracção de 5,68%, seguindo-se quedas de 3,92% e 0,94% nos dois primeiros trimestres de 2025.
Crescimento do FSM
O valor do FSM subiu quase 6% no primeiro mês de gestão do Banco de Moçambique, alcançando 116,41 milhões de dólares, após nova entrada de capital. A capitalização inicial de 109,97 milhões de dólares ocorreu em 10 de dezembro, correspondendo a receitas da exploração de gás, e o aumento até janeiro se deve a uma entrada adicional de 6,159 milhões de dólares pelo Governo.
O FSM, propriedade do Estado, visa acumular poupanças para as futuras gerações e estabilizar o Orçamento do Estado em períodos de volatilidade das receitas petrolíferas.
Alerta meteorológico
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) alertou para a formação de um sistema de baixa pressão a leste de Madagáscar, com potencial para evoluir para ciclone tropical, uma semana após o ciclone Gezani atingir Inhambane. Apesar de ainda não representar perigo direto para Moçambique, o Inam mantém a monitorização do sistema.
Na atual época das chuvas, o número de mortos no país subiu para 228, com 863 mil pessoas afetadas, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). As cheias de janeiro provocaram pelo menos 27 mortes, afetando 724 mil pessoas, enquanto a passagem do ciclone Gezani causou mais 4 mortos em Inhambane e 59 em Madagáscar.
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