A Rússia acusou o secretário-geral da ONU, António Guterres, de parcialidade a favor da Ucrânia e de violar a Carta das Nações Unidas ao manifestar posições consideradas por Moscovo como pessoais ou alinhadas com o Governo de Portugal. Maria Zakharova, porta-voz da diplomacia russa, afirmou que Guterres “deveria guardar para si as opiniões pessoais ou as orientações do seu governo e agir de forma consistente com o cargo que ocupa”. As declarações foram feitas em Moscovo, durante comentários sobre as conversações de Genebra sobre a guerra na Ucrânia.
Zakharova criticou Guterres por priorizar o princípio da integridade territorial sobre o direito dos povos à autodeterminação, considerando que tal constitui violação do Artigo 100.º da Carta da ONU, que exige imparcialidade, equidistância e objetividade do secretário-geral e do secretariado.
Segundo a diplomata, Guterres estaria a agir “como se estivesse acima dos Estados-membros e da própria estrutura da ONU”, e que suas declarações refletem mais opiniões pessoais ou do Governo português do que posições oficiais da organização.
A tensão ocorre no contexto da guerra iniciada pela Rússia há quatro anos, com a anexação das regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson, não reconhecidas pela ONU nem pela maioria da comunidade internacional. A Rússia exige o reconhecimento desses territórios, que correspondem a cerca de 20% do território ucraniano, enquanto o Presidente Volodymyr Zelensky insiste na retirada completa das tropas russas e no restabelecimento das fronteiras de 1991.
O caso mantém-se como um ponto crítico nas negociações internacionais e evidencia a crescente fricção entre Moscovo e a liderança da ONU no acompanhamento do conflito.
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