Silêncio forçado: quando desligam as câmaras, desligam a democracia
Na manhã de 16 de fevereiro de 2026, um episódio inquietante lançou novas sombras sobre o já frágil Estado de direito na Guiné-Bissau. Elementos identificados como pertencentes às forças policiais e militares terão entrado na residência de Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, no bairro de Luanda, em Bissau, e desativado todas as câmaras de vigilância instaladas na habitação. Não houve explicação pública imediata. Não houve transparência. Houve silêncio.
Desligar câmaras não é um ato técnico. É um gesto político. É uma mensagem. Quando agentes do Estado entram na casa de um líder da oposição e neutralizam mecanismos de vigilância existentes há anos, o que está em causa não é apenas equipamento eletrónico — é a segurança, é a intimidade, é o direito à proteção. É a própria linha que separa autoridade de intimidação.
Segundo relatos familiares, os agentes chegaram, cumpriram a tarefa e foram embora. Sem mandado tornado público. Sem esclarecimento institucional. Sem prestação de contas. A suspeita que paira é grave: terá sido uma ação por “encomenda”? Se assim for, quem ordena? Quem executa? Quem responde?
O Ministério do Interior, até ao momento, não confirmou nem desmentiu formalmente os factos. E esse silêncio institucional pesa. Porque em democracias funcionais, ações desta natureza exigem explicações imediatas, legais e transparentes. Quando o Estado age na penumbra, a confiança pública sofre um golpe profundo.
O contexto agrava ainda mais a situação. Domingos Simões Pereira encontra-se em regime de prisão domiciliária desde 30 de janeiro, após 65 dias detido na Segunda Esquadra da Polícia de Ordem Pública, em Bissau. Foi ouvido no Tribunal Militar Superior como declarante, segundo os seus advogados. Ou seja, trata-se de um líder
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