O BRICS — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — não é mais apenas um fórum econômico; tornou-se um palco estratégico de poder global. Nos últimos anos, o bloco avançou com uma expansão ambiciosa, abrindo portas para dezenas de países interessados em participar de um grupo que desafia a narrativa de dominação ocidental. A pergunta que paira é clara: quem serão os próximos a transformar o BRICS em um bloco ainda mais influente?
Malundo Kudiqueba
A expansão do BRICS ocorre em duas frentes. Primeiro, a criação da categoria de “país parceiro”, que permite a nações estratégicas colaborar com o bloco sem serem membros plenos imediatamente. Países como Nigéria, Uzbequistão, Cuba, Tailândia e Emirados Árabes Unidos já se beneficiam desse status. Em segundo lugar, há uma lista crescente de países que manifestaram interesse formal em se tornar membros plenos: Azerbaijão, Myanmar, Laos e Bangladesh, entre outros, estão dispostos a somar sua voz ao bloco, atraídos pelo modelo de cooperação e pelo potencial de influência internacional.
O critério de entrada não é simples. O BRICS exige consenso entre todos os membros, estabilidade política, economia relevante e alinhamento estratégico. A adesão plena não é apenas simbólica; ela transforma a capacidade de negociação do país no comércio internacional, nas finanças globais e na política multilaterais. Quem entra não apenas acessa oportunidades de investimento, mas também fortalece sua posição geopolítica, participando de decisões que afetam todo o hemisfério sul e muito além.
Entre os candidatos mais fortes estão Azerbaijão, Myanmar, Bangladesh, Paquistão, Nigéria e Venezuela. Cada um deles traz algo único: do peso geopolítico da Ásia ao potencial econômico da África, das reservas naturais da Venezuela à posição estratégica do Azerbaijão. O bloco, ao aceitar novas adesões, não apenas se fortalece numericamente, mas amplia sua influência global e envia um recado claro: a lógica de poder mundial está mudando, e os BRICS querem moldar esse novo tabuleiro.
A expansão também envia uma mensagem política contundente. Ao abrir espaço para parceiros e potenciais membros, o BRICS desafia a ideia de que o Ocidente define sozinho regras e sanções. Cada novo país que se aproxima do bloco demonstra que a solidariedade econômica e a cooperação estratégica estão substituindo políticas de isolamento e coerção. A história mostra que sanções e pressões externas raramente mudam regimes; ao contrário, elas incentivam realinhamentos e fortalecem alianças regionais.
Essa nova fase do BRICS não é apenas sobre economia, mas sobre geopolítica e influência global. Cada país que avança da condição de parceiro para membro pleno transforma a balança de poder mundial, redefinindo quem decide os rumos do comércio, dos investimentos e da diplomacia internacional. É uma demonstração de força silenciosa, porém inequívoca: a multipolaridade não é mais uma ideia distante, é uma realidade em construção.
O mundo observa enquanto o BRICS se expande. Pequeno ou grande, rico ou pobre, cada novo membro fortalece a narrativa de que influência política e econômica não se limita a uma única capital ou continente. A nova ordem global está sendo escrita em conjunto — e o BRICS quer estar no centro dela.
Birmingham, 17 de Fevereiro de 2026.
Este post já foi lido 926 vezes.
