As instituições financeiras de desenvolvimento da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) estão a preparar a constituição de um banco regional com uma capitalização inicial estimada em 2,5 biliões de dólares, com o objectivo de reforçar a capacidade de financiamento de projectos estruturantes e acelerar a integração económica na região.
A informação foi tornada pública pelo presidente executivo do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), João Quintas, no final de um encontro com o ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano. A reunião decorreu em Luanda e juntou os presidentes executivos das principais instituições financeiras de desenvolvimento dos Estados-membros da SADC.
Segundo João Quintas, a iniciativa surge como resposta à limitação de capital que tem condicionado a execução de grandes projectos regionais, sobretudo nos domínios das infra-estruturas, energia, agricultura, indústria transformadora e logística. A criação de um banco regional permitirá mobilizar recursos de forma mais coordenada, reduzir a dependência de financiamento externo e fortalecer os mecanismos de cooperação financeira entre os países da África Austral.
O novo banco deverá funcionar como plataforma de financiamento estruturado, apoiando projectos transfronteiriços e promovendo cadeias de valor regionais. Entre as prioridades estratégicas estarão investimentos em corredores logísticos, interligações energéticas, sistemas de transporte e iniciativas que estimulem o comércio intra-regional, ainda considerado abaixo do potencial da região.
O encontro realizou-se no âmbito de um fórum que decorre entre 9 e 13 de Fevereiro, em Luanda, reunindo líderes das instituições financeiras de desenvolvimento da África Austral. O evento tem servido para debater soluções conjuntas de financiamento, partilha de risco e harmonização de critérios de avaliação de projectos, num contexto em que os países enfrentam desafios comuns, como restrições orçamentais, volatilidade cambial e necessidade de diversificação económica.
De acordo com os responsáveis, a capitalização inicial de 2,5 biliões de dólares representará um passo decisivo para assegurar a sustentabilidade da nova instituição. Espera-se que os Estados-membros, bancos de desenvolvimento nacionais e eventuais parceiros estratégicos participem no capital, garantindo uma base financeira sólida e credível junto de investidores internacionais.
Para Angola, que assume um papel activo nas discussões, o projecto alinha-se com a estratégia de promoção do sector produtivo e de reforço da integração regional. O BDA, enquanto instituição vocacionada para apoiar o investimento privado e o desenvolvimento empresarial, poderá beneficiar de uma maior articulação com os seus congéneres da SADC, potenciando sinergias e ampliando o alcance dos financiamentos.
Os participantes no fórum destacaram ainda que a criação do banco regional poderá contribuir para melhorar o acesso ao crédito de longo prazo, um dos principais entraves ao crescimento de sectores estratégicos na região. Ao centralizar recursos e conhecimento técnico, a nova entidade deverá reforçar a capacidade de estruturação de projectos bancáveis e atrair investimento adicional.
A proposta encontra-se em fase de concertação técnica e institucional, devendo nos próximos meses ser definidos os modelos de governação, critérios de participação e áreas prioritárias de intervenção. Caso avance conforme previsto, o banco regional da SADC poderá tornar-se um instrumento-chave para impulsionar o desenvolvimento sustentável, promover maior coesão económica e consolidar a posição da África Austral no panorama financeiro africano.
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