A partir de 1 de Maio, a China implementará um regime de tarifas alfandegárias zero para 53 países africanos que mantêm relações diplomáticas com Pequim. A iniciativa foi anunciada numa mensagem do Presidente Xi Jinping, enviada por ocasião da 39.ª Sessão Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, realizada em Adis Abeba, na Etiópia.
A decisão representa um passo significativo no reforço das relações económicas sino-africanas, ao permitir que produtos oriundos dessas nações entrem no mercado chinês sem a incidência de direitos aduaneiros. Trata-se de uma medida que poderá beneficiar especialmente sectores como a agricultura, a indústria transformadora e os recursos naturais, áreas nas quais muitos países africanos procuram aumentar o valor acrescentado das suas exportações.
Na mensagem, Xi Jinping sublinhou que a China continuará a incentivar a conclusão de acordos de parceria económica voltados para o desenvolvimento partilhado. Segundo o líder chinês, a expansão do acesso ao mercado chinês será acompanhada pela modernização e ampliação dos chamados “canais verdes”, mecanismos que facilitam e aceleram os procedimentos aduaneiros para produtos africanos. A intenção é tornar o comércio mais ágil, previsível e vantajoso para ambas as partes.
Ao destacar o significado estratégico da medida, Xi afirmou que a ampliação da abertura económica de alto padrão da China criará novas oportunidades para o crescimento sustentável do continente africano. Para Pequim, o fortalecimento das trocas comerciais integra uma visão mais ampla de cooperação Sul-Sul, na qual países em desenvolvimento reforçam laços económicos, tecnológicos e diplomáticos com base no benefício mútuo.
O Presidente recordou ainda que as relações diplomáticas entre a China e África remontam a cerca de sete décadas, período durante o qual, segundo ele, ambas as partes partilharam desafios e conquistas. Ao longo desse tempo, a cooperação evoluiu de intercâmbios políticos e apoio diplomático para uma parceria abrangente que inclui investimentos em infraestruturas, energia, telecomunicações, saúde e formação técnica.
Nos últimos anos, a China consolidou-se como um dos principais parceiros comerciais de África. A introdução de tarifas zero para a maioria dos países africanos com relações diplomáticas com Pequim poderá reforçar essa posição, ao mesmo tempo que incentiva a diversificação das exportações africanas. Especialistas apontam que a medida pode estimular cadeias de valor regionais e promover maior integração económica dentro do próprio continente.
O anúncio feito durante a cimeira da União Africana também simboliza o compromisso político de aprofundar o diálogo de alto nível. Para Xi Jinping, o futuro das relações sino-africanas passa por consolidar uma amizade duradoura, expandir a cooperação de benefício mútuo e intensificar o entendimento entre os povos.
O líder chinês reiterou a ambição de construir uma comunidade com futuro partilhado entre a China e África, baseada na solidariedade, no respeito pela soberania e na promoção do desenvolvimento comum. Com a entrada em vigor do novo regime tarifário, abre-se uma nova etapa nas relações económicas bilaterais, marcada por maior abertura comercial e por expectativas renovadas de prosperidade conjunta.
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