A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), em conjunto com as empresas do consórcio do Bloco 15/06, anunciou uma nova descoberta de petróleo ao largo da costa angolana. O achado ocorreu no poço de exploração Algaita-01, perfurado na Bacia marítima do Baixo Congo, uma das áreas mais produtivas do offshore nacional.
De acordo com informações divulgadas pela concessionária nacional, as estimativas preliminares apontam para um volume recuperável na ordem dos 500 milhões de barris de petróleo. Este número, ainda sujeito a estudos adicionais e avaliações técnicas, representa um potencial significativo para reforçar as reservas do país e sustentar os níveis de produção nos próximos anos.
A perfuração do poço teve início a 10 de Janeiro de 2026, numa lâmina de água de 667 metros, a cerca de 18 quilómetros da unidade flutuante de produção, armazenamento e descarga Olombendo. A operação decorreu dentro dos parâmetros técnicos previstos e permitiu intersectar formações geológicas compostas por arenitos do Miocénico Superior, reconhecidas pelo seu potencial petrolífero.
Segundo a ANPG, os trabalhos de perfuração foram concluídos com sucesso no dia 26 de Janeiro. Após atingir a profundidade planeada, a equipa técnica avançou para a fase de recolha de dados detalhados, incluindo registos avançados de avaliação de formação. Estes procedimentos são essenciais para determinar a qualidade do reservatório, a espessura das camadas produtivas e as características dos fluidos presentes.
A análise preliminar dos registos de perfilagem por cabo, conhecida como wireline logging, bem como das amostras de fluidos recolhidas, revelou a existência de múltiplos intervalos com excelentes propriedades petrofísicas. Os dados indicam boa porosidade, permeabilidade favorável e mobilidade adequada dos fluidos, factores determinantes para viabilizar um eventual desenvolvimento comercial.
O presidente do Conselho de Administração da ANPG, Paulino Jerónimo, destacou a importância da descoberta num contexto de maturidade crescente das áreas tradicionais de produção. O responsável sublinhou que resultados como este demonstram o potencial remanescente do offshore angolano e reforçam a necessidade de continuar a apostar na exploração, tanto em áreas já desenvolvidas como em zonas adjacentes.
Paulino Jerónimo incentivou ainda as empresas do sector a aproveitarem os mecanismos de incentivo em vigor, nomeadamente o Decreto 8/24, relativo à Produção Incremental, e o Decreto 5/18, que estabelece o regime jurídico aplicável às actividades de pesquisa dentro e nas proximidades das áreas de desenvolvimento. Estes instrumentos visam criar condições mais atractivas para o investimento, promovendo a maximização de recursos e a extensão da vida útil dos activos existentes.
O projecto está inserido no Grupo Empreiteiro do Bloco 15/06, operado pela Azule Energy, que detém uma participação de 36,84%. Integram igualmente o consórcio a SSI Fifteen Limited, com 26,32%, e a Sonangol E&P, com 36,84%.
A nova descoberta reforça o posicionamento estratégico de Angola como produtor relevante no contexto africano e internacional. Caso as próximas fases de avaliação confirmem o potencial estimado, o campo Algaita poderá representar um contributo significativo para a estabilidade da produção nacional, geração de receitas e fortalecimento da indústria petrolífera do país.
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