MPLA e UNITA São Iguais: A Verdade que Muitos Não Querem Admitir

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Malundo Kudiqueba

Quando o poder surge como porta para riqueza, a moral torna-se discurso e o discurso torna-se ferramenta. A crítica deixa de ser opção e passa a ser obrigação. Porque se a luta política é movida mais pelo desejo de ascensão pessoal do que pelo compromisso como bem comum, então a diferença entre governo e oposição reduz-se a uma questão de turno. E quando a política se transforma em escada para fortuna, o povo deixa de ser prioridade e passa a ser argumento.

Durante anos, dirigentes do MPLA foram associados à acumulação de riqueza e privilégios. A UNITA construiu parte da sua narrativa política denunciando esse fenómeno. Porém, o que se observa é que muitos políticos da UNITA não rejeitam o modelo rejeitam apenas o facto de não serem eles os beneficiários. Criticam os milionários do poder, mas não criticam a lógica que produz milionários na política. Sonham apenas ocupar o mesmo lugar à mesa.

O problema não é a riqueza em si. O problema é a motivação que move a disputa pelo poder. Quando a política deixa de ser serviço público e se transforma em via de ascensão económica, os partidos tornam-se plataformas de acesso a privilégios. E, nesse ponto, a diferença entre MPLA e UNITA é quase inexistente.

A UNITA afirma ser alternativa ética. Mas em muitos comportamentos imita as práticas que condena. Centralização de decisões, personalização da liderança, lealdade acima da competência, discurso moralista combinado com pragmatismo estratégico o padrão repete-se.

A UNITA critica o MPLA em praça pública, ergue a voz nos comícios e denuncia práticas que diz combater. Mas nos bastidores entram em negociações, entendimentos discretos e acordos que o eleitor nunca chega a conhecer. Se a política é tratada como negócio, o poder torna-se produto e o povo, reduzido a consumidor de promessas embaladas para cada ciclo eleitoral. O problema não é negociar; o problema é fazê-lo na sombra, enquanto se vende indignação à luz do dia.

No MPLA, o poder consolidou redes de influência económica. Na UNITA, a expectativa de poder alimenta ambições semelhantes. A lógica não muda; muda apenas a posição no tabuleiro. Quem está fora promete moralizar. Quem entra adapta-se. É um ciclo que Angola conhece bem.

Há uma verdade que poucos querem admitir: o sistema político moldou ambos. A cultura de privilégio não nasceu num único partido. Foi sendo normalizada ao longo do tempo, atravessando gerações e estruturas. E quando a cultura é a mesma, a alternância corre o risco de ser apenas troca de protagonistas.

O eleitor escuta discursos apaixonados sobre mudança, transparência e justiça. Mas observa comportamentos que revelam cálculo, conveniência e ambição pessoal. A confiança desgasta-se quando as palavras não resistem à comparação com os actos.

Se no MPLA há ricos consolidados, na UNITA há aspirantes confiantes de que a sua vez chegará. Essa percepção justa ou não corrói o discurso moral da oposição. Porque quem combate privilégios precisa demonstrar, com actos consistentes, que não deseja apenas redistribuí-los a favor do seu grupo.

Angola precisa de mais do que alternância partidária. Precisa de ruptura cultural. Precisa de líderes que vejam o poder como responsabilidade e não como trampolim financeiro. Precisa de partidos que provem, na prática, que são diferentes não apenas na retórica.

Enquanto a ambição material continuar a ser o motor silencioso da disputa política, as cores partidárias serão detalhe. E o país continuará preso a uma lógica onde a mudança promete muito, mas transforma pouco. E mais não digo!

Birmingham, 13 de Fevereiro de 2026.

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