A Ilha do Mussulo deveria ser hoje um dos maiores destinos turísticos do mundo. Pela sua beleza natural, localização privilegiada e potencial incomparável, o Mussulo tinha todas as condições para competir com destinos como Punta Cana, Zanzibar, Maldivas ou Seychelles. Mas não é isso que acontece. O que poderia ser um símbolo do turismo angolano tornou-se um retrato cruel do bloqueio ao desenvolvimento.
Malundo Kudiqueba
Em vez de hotéis de referência internacional, restaurantes de classe mundial, discotecas vibrantes e campos de golfe capazes de atrair turismo de alto nível, o Mussulo transformou-se num espaço fechado e exclusivo para uma elite poderosa. Uma ilha capturada por interesses privados que nada contribuem para o crescimento do país, para a criação de empregos ou para a projeção internacional de Angola.
O turismo não floresce onde há exclusão, medo e apropriação indevida. O Mussulo não é propriedade de uma elite; é um património natural que deveria servir o país inteiro. Enquanto alguns querem tudo só para si, Angola perde oportunidades, perde receitas e perde relevância no mapa do turismo global.
É impossível falar de diversificação económica sem falar de acesso, investimento sério e visão estratégica. O Mussulo poderia ser um motor económico, um polo de atração internacional, um cartão-de-visita de Angola para o mundo. Em vez disso, permanece subaproveitado, limitado e fechado.
O problema não é falta de potencial. O problema é a mentalidade. Enquanto houver quem confunda poder com posse e Estado com propriedade privada, o país continuará refém de interesses pequenos. O Mussulo merece mais. Angola merece mais. E o mundo estaria pronto para descobrir o que hoje lhe é negado.
Birmingham, 03 de Janeiro de 2026.
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