Já repararam que, em Angola, quase toda a semana nasce um novo partido político? Parece padaria em dia de promoção: é só abrir portas. A pergunta impõe-se por que razão tanta gente quer criar partidos políticos? E, mais ainda, por que é que quase todos querem ser políticos? A resposta não é complicada e muito menos misteriosa. Basta olhar para a lista dos homens mais ricos do país. Coincidência ou milagre económico? A maioria tem ou teve ligação direta à política. Em Angola, ser político não é apenas uma vocação; é, para muitos, um plano de carreira e dos mais lucrativos.
Malundo Kudiqueba
Não admira, portanto, que tantos angolanos sonhem com a política. Num país onde o caminho do trabalho árduo raramente leva à riqueza, a política surge como a autoestrada iluminada, com portagem paga pelo Estado. Não importa se é no governo ou na oposição: o importante é estar “dentro do sistema”. Porque, como se diz nas ruas, “quem está fora chora, quem está dentro fatura”.
Criar um partido tornou-se quase um investimento. Alguns começam com discursos inflamados, promessas épicas e slogans sobre mudança. Outros nem se dão a esse trabalho: basta o partido existir, concorrer, negociar apoios e esperar. A ideologia? Depois vê-se. O importante é o cargo, o estatuto e, claro, as oportunidades.
Não se trata de dizer que todos os políticos são ricos ou corruptos seria injusto. Mas é impossível ignorar o padrão. Em Angola, a política tornou-se sinónimo de ascensão social rápida. É o único “emprego” onde se entra com discurso e se sai com património.
Enquanto isso, o cidadão comum observa, ri para não chorar e pergunta-se: será que um dia ser político deixará de ser o caminho mais fácil para enriquecer… e passará a ser, finalmente, um verdadeiro serviço público?
Até lá, preparem-se: novos partidos vêm a caminho. Porque em Angola, esperança também dá lucro em especial no tempo das eleições.
Birmingham, 01 de Fevereiro de 2026.
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