Porque é que Todos Querem Ser Políticos em Angola?

Fama e poder praia do bispo

Malundo Kudiqueba

Não admira, portanto, que tantos angolanos sonhem com a política. Num país onde o caminho do trabalho árduo raramente leva à riqueza, a política surge como a autoestrada iluminada, com portagem paga pelo Estado. Não importa se é no governo ou na oposição: o importante é estar “dentro do sistema”. Porque, como se diz nas ruas, “quem está fora chora, quem está dentro fatura”.

Criar um partido tornou-se quase um investimento. Alguns começam com discursos inflamados, promessas épicas e slogans sobre mudança. Outros nem se dão a esse trabalho: basta o partido existir, concorrer, negociar apoios e esperar. A ideologia? Depois vê-se. O importante é o cargo, o estatuto e, claro, as oportunidades.

Não se trata de dizer que todos os políticos são ricos ou corruptos seria injusto. Mas é impossível ignorar o padrão. Em Angola, a política tornou-se sinónimo de ascensão social rápida. É o único “emprego” onde se entra com discurso e se sai com património.

Enquanto isso, o cidadão comum observa, ri para não chorar e pergunta-se: será que um dia ser político deixará de ser o caminho mais fácil para enriquecer… e passará a ser, finalmente, um verdadeiro serviço público?

Até lá, preparem-se: novos partidos vêm a caminho. Porque em Angola, esperança também dá lucro em especial no tempo das eleições.

Birmingham, 01 de Fevereiro de 2026.

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