O Chega enterrou politicamente o CDS

Fama e poder chega cds

Malundo Kudiqueba

Como bem disse o meu amigo José Pedro Ribeiro, o CDS hoje limita-se a andar à boleia do PSD, sem agenda própria, sem discurso mobilizador e sem capacidade de marcar o debate político. Aquilo que outrora foi um partido com identidade, influência e peso institucional transformou-se num apêndice, dependente da boa vontade de terceiros para sobreviver. A perda de autonomia política é, muitas vezes, o primeiro passo para a extinção.

Com a chegada do Chega, o CDS passou a ser um projecto político com data de validade. Já não representa uma alternativa clara, nem entusiasma eleitorado. Falei com membros do Chega que são perentórios: o partido de André Ventura veio eclipsar totalmente o CDS.

Essa realidade gerou um incómodo evidente. O sucesso do Chega provocou ciúmes políticos no CDS, que se viu empurrado para a periferia do sistema partidário, reduzido a um papel secundário e sem expressão no contexto político nacional. Hoje, o CDS não dita agendas, não lidera debates e não influencia decisões estruturais. Limita-se a reagir.

Por outro lado quando desafio membros do Chega e lhes falo da imprevisibilidade da política, lembrando que o que aconteceu ao CDS pode, um dia, acontecer também ao Chega, a resposta é quase sempre a mesma: não. Uma negação firme, carregada de convicção. Mas a política não vive de certezas, vive de factos — e os factos contam outra história.

O CDS também teve um líder forte. Paulo Portas marcou uma era, deu identidade, voz e peso político ao partido. Sob a sua liderança, o CDS foi relevante, influente e decisivo. Com a chegada de Assunção Cristas, apesar das dificuldades, o partido manteve-se de pé e ainda conservava espaço no sistema político. Mas depois veio a queda. Uma queda brusca, profunda e aparentemente irreversível. Hoje, ninguém sabe verdadeiramente como reerguer o CDS.

É aqui que reside o ponto essencial. Os partidos não caem apenas por erros pontuais; caem quando perdem liderança, carisma e capacidade de mobilizar. E isso acontece, muitas vezes, depois da saída de uma figura central. Não há pessoas insubstituíveis, é verdade. Mas há líderes que deixam uma marca tão forte que, por mais que os sucessores tentem imitar o estilo, o discurso ou a estratégia, os resultados simplesmente não aparecem.

O Chega vive hoje muito ancorado na figura de André Ventura. É ele o motor, o rosto e o catalisador do projecto político. A questão que se impõe não é se o Chega é forte agora. A verdadeira questão é o que acontecerá no pós-Ventura. Terá o partido capacidade para sobreviver sem o seu líder fundador? Ou seguirá o mesmo caminho do CDS, do auge à irrelevância?

A história política portuguesa mostra que nenhum partido está imune ao desgaste, à perda de liderança ou ao declínio. O Chega pode negar esse cenário, mas o tempo esse juiz implacável acabará por dar a resposta.

Birmingham, 26 de Janeiro de 2026

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